Se você chegou até aqui, provavelmente está em uma de duas situações: seu laboratório foi cobrado por um cliente, um órgão regulador ou um programa de avaliação da conformidade a apresentar resultados acreditados, ou já é acreditado e precisa passar pela próxima avaliação da Cgcre sem sustos, mantendo ou ampliando o escopo da ISO/IEC 17025.
Em qualquer um dos dois casos, este guia reúne o que você precisa saber agora: da definição básica à diferença entre acreditação e certificação, passando pelo que está em vigor em 2026, custo, prazo, requisitos técnicos e de gestão, preparação para a avaliação e como sustentar a conformidade no dia a dia, sem depender de mutirão de última hora.
O que é a ISO/IEC 17025?
A ISO/IEC 17025, “Requisitos gerais para a competência de laboratórios de ensaio e calibração”, é publicada em conjunto pela International Organization for Standardization (ISO) e pela International Electrotechnical Commission (IEC), e desenvolvida pelo comitê de avaliação da conformidade da ISO (CASCO). Criada em 1999 e revisada em 2005 e 2017, ela é o critério usado pelos organismos de acreditação do mundo todo para avaliar se um laboratório opera de forma competente e gera resultados confiáveis.
A norma se aplica a qualquer laboratório que realize ensaios, calibrações ou amostragem associada a ensaios e calibrações, independentemente do porte ou da natureza: laboratórios independentes que prestam serviço a terceiros, laboratórios internos de indústrias, laboratórios públicos, universitários e de pesquisa. Ela não segue a estrutura de dez cláusulas da ISO 9001 e da ISO 14001, e sim a estrutura comum das normas CASCO, com cinco blocos de requisitos: gerais (imparcialidade e confidencialidade), de estrutura, de recursos, de processo e de sistema de gestão.
O ponto que diferencia a ISO/IEC 17025 de uma norma de sistema de gestão é o foco na competência técnica. Não basta ter processos documentados: o laboratório precisa demonstrar que o pessoal é competente e autorizado para cada atividade, que os equipamentos estão calibrados com rastreabilidade metrológica ao Sistema Internacional de Unidades (SI), que os métodos foram verificados ou validados, que a incerteza de medição é avaliada e que a validade dos resultados é monitorada continuamente, inclusive com participação em ensaios de proficiência.
Outro ponto importante: a acreditação é concedida por escopo. O laboratório não é “acreditado na ISO/IEC 17025” de forma genérica, e sim acreditado para ensaios ou calibrações específicos, com métodos, faixas e, no caso de calibração, capacidades de medição e calibração (CMC) declaradas. No Brasil, laboratórios de calibração acreditados integram a Rede Brasileira de Calibração (RBC), e laboratórios de ensaio, a Rede Brasileira de Laboratórios de Ensaio (RBLE).
Costumam buscar a acreditação: laboratórios de calibração de instrumentos (dimensional, massa, pressão, temperatura, elétrica, força, torque), laboratórios de ensaios químicos, microbiológicos, ambientais, de alimentos, de materiais e de produtos, laboratórios que atendem programas de avaliação da conformidade do Inmetro ou de órgãos como MAPA e ANEEL, e laboratórios internos de indústrias que querem que seus resultados sejam aceitos por clientes sem necessidade de reensaio.
ISO/IEC 17025 em 2026: o que está em vigor e o que pode mudar
Diferente da ISO 9001 e da ISO 14001, que ganharam novas versões em 2026, a ISO/IEC 17025 não foi revisada. O que está em vigor, e o que é apenas movimento do ecossistema de acreditação, são coisas distintas, e vale não confundir as duas:
| Tema | Situação em 2026 | O que isso significa para o laboratório |
|---|---|---|
| Versão da norma | ISO/IEC 17025:2017 vigente, confirmada na revisão sistemática da ISO concluída em agosto de 2023 | Não há transição de versão em andamento; os requisitos exigidos nas avaliações seguem os mesmos |
| Próxima revisão sistemática | As normas ISO são reavaliadas a cada cinco anos; a próxima avaliação da 17025 é esperada por volta de 2028 | Uma eventual nova versão ainda não tem data, e qualquer transição só seria definida após a publicação |
| Acreditação internacional | ILAC e IAF se fundiram em 1º de janeiro de 2026, formando a Global Accreditation Cooperation Incorporated (Global ACI) | O reconhecimento mútuo de resultados acreditados entre países continua, agora sob uma única organização internacional |
| ISO 9001:2026 | Nova versão publicada em 16 de setembro de 2026 | Afeta diretamente laboratórios que usam a Opção B da cláusula 8 (sistema de gestão baseado na ISO 9001) e laboratórios que também são certificados ISO 9001 |
| Harmonização das normas CASCO | A ISO/IEC 17020 (organismos de inspeção) foi revisada em março de 2026 com elementos comuns às demais normas da série 17000 | Não altera a 17025, mas indica a direção de uma futura revisão: mais harmonização de requisitos de imparcialidade, confidencialidade e gestão |
Na prática, se seu laboratório está buscando a acreditação ou se preparando para uma reavaliação agora, a referência é a ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017, junto com os documentos normativos da Cgcre (como a NIT-Dicla-031, regulamento da acreditação de laboratórios).
O ponto de atenção em 2026 fica com os laboratórios que adotam a Opção B: como o sistema de gestão deles se apoia na ISO 9001, a transição para a ISO 9001:2026 precisa ser planejada em paralelo à manutenção da acreditação.
Acreditação ISO/IEC 17025 x certificação ISO 9001: qual a diferença?
| Aspecto | Certificação ISO 9001 | Acreditação ISO/IEC 17025 |
|---|---|---|
| O que atesta | Que a organização tem um sistema de gestão da qualidade implementado | Que o laboratório é tecnicamente competente para produzir resultados válidos |
| Quem concede | Organismo certificador acreditado | Organismo de acreditação (no Brasil, a Cgcre/Inmetro) |
| Abrangência | Organização ou processos definidos no escopo | Ensaios e calibrações específicos, com métodos e faixas declarados no escopo acreditado |
| Foco da avaliação | Processos, riscos e melhoria contínua | Competência do pessoal, equipamentos, rastreabilidade metrológica, métodos, incerteza e validade dos resultados |
| Equipe avaliadora | Auditores de sistema de gestão | Avaliador líder e avaliadores ou especialistas técnicos da área do escopo |
| Monitoramento dos resultados | Não exige ensaios de proficiência | Exige monitoramento da validade dos resultados, incluindo ensaios de proficiência ou comparações interlaboratoriais |
| Relação entre as duas | Norma autônoma | Pode usar a ISO 9001 como base do sistema de gestão (Opção B), mas ter ISO 9001 não substitui a acreditação |
Um erro comum de comunicação é dizer que o laboratório é “certificado ISO 17025”. O termo correto é acreditado, e o uso da marca e das referências à acreditação segue regras próprias da Cgcre (NIE-Cgcre-009).
Quais são os benefícios da ISO/IEC 17025 para o laboratório?
Além do reconhecimento formal, a acreditação resolve problemas concretos de gestão e de mercado:
1- Abre portas comerciais e regulatórias: muitos clientes industriais, programas de avaliação da conformidade e órgãos reguladores só aceitam resultados de laboratórios acreditados, o que transforma a acreditação em pré-requisito para atuar em determinados segmentos.
2- Garante aceitação internacional dos resultados: graças aos acordos de reconhecimento mútuo entre organismos de acreditação, um relatório ou certificado emitido por laboratório acreditado tende a ser aceito em outros países sem necessidade de repetir o ensaio ou a calibração.
3- Reduz retrabalho e contestação de resultados: métodos validados, incerteza avaliada e regra de decisão acordada com o cliente diminuem discussões sobre laudos e a necessidade de reensaio.
4- Dá confiança às decisões internas: para laboratórios internos de indústrias, resultados confiáveis significam liberar lotes, aprovar fornecedores e ajustar processos com base em dados que resistem a questionamentos.
Institucionaliza a competência técnica: a norma exige que competência, autorização e monitoramento do pessoal sejam registrados, o que reduz a dependência de um único técnico experiente.
5- Integra-se ao sistema de gestão da empresa: laboratórios que já operam dentro de uma organização certificada ISO 9001 podem aproveitar controle de documentos, auditoria interna, ação corretiva e análise crítica, concentrando o esforço nos requisitos técnicos.
Quanto custa e quanto tempo leva para acreditar um laboratório na ISO/IEC 17025?
Não existe um valor fixo de mercado, e o investimento varia conforme uma combinação de fatores:
| Fator | Impacto no custo/prazo |
|---|---|
| Tamanho do escopo | Cada grupo de serviços de calibração ou classe de ensaio adicional aumenta o tempo de avaliação e as taxas |
| Diversidade técnica do escopo | Escopos que cobrem várias áreas exigem mais avaliadores e especialistas técnicos |
| Maturidade técnica atual | Métodos já validados, incerteza já estimada e histórico de controle de qualidade encurtam o caminho |
| Rastreabilidade metrológica | Equipamentos sem calibração rastreável precisam ser calibrados antes da avaliação, o que envolve custo e prazo de terceiros |
| Ensaios de proficiência | A participação prévia em ensaios de proficiência é esperada, e a disponibilidade de rodadas varia conforme a área |
| Taxas do organismo de acreditação | No Brasil, as taxas da Cgcre são públicas e definidas na NIE-Cgcre-140, incluindo solicitação, análise documental, avaliação e manutenção anual |
| Infraestrutura e condições ambientais | Adequações de instalação e controle ambiental podem ser necessárias antes da avaliação |
| Consultoria externa | Opcional, mas acelera diagnóstico, validação de métodos e estimativa de incerteza |
Como referência geral, laboratórios que partem do zero costumam levar de 12 a 18 meses da decisão até a concessão da acreditação, considerando diagnóstico, implementação do sistema de gestão, validação de métodos, estimativa de incerteza, participação em ensaios de proficiência, auditoria interna, análise crítica e o processo de avaliação da Cgcre. Laboratórios que já operam dentro de uma empresa com ISO 9001 madura, ou que centralizam evidências em um sistema de gestão, tendem a reduzir esse prazo, embora a parte técnica raramente possa ser encurtada.
Quais são os requisitos e documentos obrigatórios da ISO/IEC 17025?
A norma dá mais flexibilidade do que a versão de 2005 sobre como documentar, mas exige evidências específicas, tanto de gestão quanto técnicas. Os itens que avaliadores mais cobram na prática:
- Compromisso com a imparcialidade e análise dos riscos à imparcialidade (4.1)
- Tratamento de informações confidenciais de clientes (4.2)
- Identificação da entidade legal, estrutura, responsabilidades e escopo das atividades (5)
- Requisitos de competência por função, registros de treinamento, autorização e monitoramento do pessoal (6.2)
- Condições de instalações e ambientais monitoradas quando afetam os resultados (6.3)
- Programa de calibração, verificações intermediárias e registros de equipamentos (6.4)
- Evidência de rastreabilidade metrológica dos resultados (6.5)
- Critérios de aprovação e avaliação de fornecedores de produtos e serviços críticos, incluindo calibrações externas e ensaios subcontratados (6.6)
- Análise crítica de pedidos, propostas e contratos, incluindo a regra de decisão acordada com o cliente (7.1)
- Registros de verificação e validação de métodos (7.2)
- Plano e método de amostragem, quando aplicável (7.3)
- Registros técnicos que permitam repetir a atividade em condições o mais próximas possível das originais (7.5)
- Avaliação da incerteza de medição (7.6)
- Plano de garantia da validade dos resultados, com controles internos e participação em ensaios de proficiência ou comparações interlaboratoriais (7.7)
- Relatórios de ensaio e certificados de calibração com as informações exigidas pela norma (7.8)
- Registros de reclamações, trabalho não conforme e ações corretivas (7.9, 7.10 e 8.7)
- Controle de dados e gestão da informação, incluindo validação de software e planilhas usados no laboratório (7.11)
- Riscos e oportunidades do laboratório e planejamento de ações (8.5)
- Resultados de auditorias internas e atas de análise crítica pela direção (8.8 e 8.9)
Além da norma, o avaliador verifica o atendimento aos documentos normativos do organismo de acreditação. No Brasil, isso inclui o regulamento da acreditação (NIT-Dicla-031), as regras de uso da marca (NIE-Cgcre-009), os requisitos de participação em ensaios de proficiência e, quando aplicável, os documentos específicos de programas como os do MAPA, da ANEEL ou da metrologia legal.
O erro mais comum não é a falta de documento, é a evidência técnica que não se sustenta: um método “validado” sem os dados que comprovam a validação, uma planilha de cálculo de incerteza nunca verificada, ou um técnico emitindo resultados de um ensaio para o qual não tem autorização registrada. Avaliadores técnicos identificam rapidamente essa distância, porque acompanham a execução do ensaio ou da calibração e cruzam o que veem com os registros.
Como se preparar para a avaliação de acreditação ISO/IEC 17025
Um caminho estruturado reduz não conformidades no dia da avaliação:
- Diagnóstico de maturidade (gap analysis) contra a ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017 e os documentos da Cgcre.
- Definição do escopo pretendido, com métodos, faixas e, para calibração, capacidades de medição.
- Estruturação do sistema de gestão (Opção A ou Opção B), com imparcialidade, confidencialidade e controle de documentos.
- Organização de pessoal, equipamentos e rastreabilidade metrológica.
- Verificação ou validação de métodos, estimativa de incerteza e definição da regra de decisão.
- Garantia da validade dos resultados, com controles internos e ensaios de proficiência.
- Auditoria interna e análise crítica pela direção, com correção das não conformidades encontradas.
- Processo de avaliação pela Cgcre: solicitação, análise documental, avaliação no laboratório e tratamento das não conformidades.
Quanto mais cedo a evidência técnica é gerada como rotina, e não reunida às pressas antes da visita dos avaliadores, menor o risco de não conformidade, e menor o desgaste da equipe no processo.
O que o avaliador verifica na avaliação de acreditação ISO/IEC 17025
Antes de organizar a preparação, vale saber exatamente o que está sendo checado. Na avaliação da ISO/IEC 17025, a equipe da Cgcre confere se o sistema de gestão funciona e, principalmente, se a competência técnica declarada no escopo aparece na prática da bancada.
| Área da norma | O que o avaliador verifica | Evidência típica esperada | Como o Qualiex e o Metroex ajudam |
|---|---|---|---|
| Imparcialidade e confidencialidade (4.1 e 4.2) | Se os riscos à imparcialidade foram identificados de forma contínua e se as informações dos clientes estão protegidas | Análise de riscos à imparcialidade, termos de confidencialidade assinados | Módulo Riscos com metodologia configurável, para manter a análise de riscos à imparcialidade separada dos demais riscos e revisada periodicamente |
| Pessoal (6.2) | Se cada pessoa que executa, analisa ou libera resultados tem competência definida, foi treinada, autorizada e é monitorada | Matriz de competência, registros de treinamento, autorizações por ensaio ou calibração | Módulo Treinamentos para registrar capacitações e acompanhar vencimentos, evitando autorização desatualizada |
| Equipamentos e rastreabilidade (6.4 e 6.5) | Se os equipamentos que afetam os resultados estão calibrados com rastreabilidade, com verificações intermediárias e critérios de aceitação | Programa de calibração, certificados, análise crítica dos certificados, registros de verificação | Metroex com gestão de padrões e equipamentos em uma base única: datas de calibração, checagem intermediária, manutenção, registros de rastreabilidade e notificações automáticas de vencimento |
| Fornecedores (6.6) | Se laboratórios de calibração externos, provedores de ensaios de proficiência e fornecedores de materiais de referência são aprovados e reavaliados | Critérios de seleção, avaliação de desempenho, comprovação de acreditação dos fornecedores | Módulo Fornecedores com homologação, documentos com vencimento, avaliação periódica e Portal do Fornecedor |
| Métodos e incerteza (7.2 e 7.6) | Se os métodos foram verificados ou validados e se a incerteza foi avaliada de forma coerente com o escopo | Relatórios de validação, memoriais de cálculo de incerteza verificados, procedimentos técnicos | Metroex com avaliação da incerteza de medição e cálculos configuráveis por tipo de ensaio ou calibração; no Qualiex, módulo Documentos com controle de versão e fluxo de aprovação para procedimentos e relatórios de validação |
| Pedidos, registros técnicos e relato de resultados (7.1, 7.5 e 7.8) | Se os pedidos são analisados criticamente, se os registros técnicos permitem reconstituir a atividade e se relatórios e certificados trazem as informações exigidas | Propostas e contratos analisados, registros brutos, certificados e relatórios emitidos | Metroex com o fluxo do laboratório de ponta a ponta: entrada dos itens, análise de pedido, proposta e contrato, coleta de dados no ponto de medição com registro de quem fez, quando e como, e emissão de certificados com layout customizável e QR Code de autenticidade |
| Garantia da validade dos resultados (7.7) | Se existe plano de monitoramento, se os resultados de ensaios de proficiência são analisados e se desvios geram ação | Cronograma de controles e ensaios de proficiência, resultados, análise de tendências | Módulo Indicadores com metas e alertas de coleta atrasada para acompanhar o plano de garantia da validade ao longo do tempo |
| Reclamações e trabalho não conforme (7.9 e 7.10) | Se reclamações e trabalhos não conformes são registrados, avaliados quanto ao impacto e tratados, incluindo recolhimento de resultados quando necessário | Registros de reclamação, avaliação de impacto, comunicação ao cliente | Módulo Ocorrências com análise de causa, plano de ação e verificação de eficácia |
| Auditoria interna e análise crítica (8.8 e 8.9) | Se o programa de auditoria cobre todos os requisitos e se a direção analisa ensaios de proficiência, reclamações, riscos e mudanças | Programa e relatórios de auditoria, ata de análise crítica | Módulo Auditorias com checklists da norma e planejamento de auditores, auditados, locais e itens, e módulo Atas e Decisões vinculado a indicadores e planos de ação |
Na prática, os dois sistemas se complementam: o Metroex cuida da operação técnica do laboratório (padrões, execução de ensaios e calibrações, cálculos, incerteza e certificados), e o Qualiex cuida do sistema de gestão (documentos, riscos, ocorrências, auditorias, análise crítica, fornecedores e treinamentos). Qualquer que seja o software, o requisito 7.11 continua valendo: cálculos e configurações usados para gerar resultados precisam ser validados pelo laboratório antes do uso.
Checklist de preparação para a avaliação de acreditação ISO/IEC 17025
Separamos as 8 etapas de preparação em blocos individuais. Copie cada uma para a ferramenta de gestão de tarefas da sua equipe, e use como checklist de acompanhamento até a data da avaliação.
Passo 1. Diagnóstico de maturidade Antes de implementar qualquer coisa, é preciso saber exatamente onde o laboratório está em relação à norma e aos documentos da Cgcre, sem isso, o esforço se dispersa em pontos que já estão resolvidos.
- Revisar os requisitos da ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017 item por item
- Levantar os documentos normativos da Cgcre aplicáveis ao escopo pretendido
- Identificar o que já existe, o que existe parcialmente e o que não existe
- Priorizar os gaps por criticidade técnica e prazo até a solicitação
Passo 2. Definição do escopo O escopo é o coração da acreditação: define exatamente quais resultados o laboratório poderá emitir como acreditados.
- Listar os ensaios ou calibrações que farão parte do escopo inicial
- Definir métodos, normas de referência, faixas e, para calibração, as capacidades de medição
- Avaliar se vale começar com um escopo menor e ampliar depois, por extensão
- Confirmar que o laboratório tem histórico técnico suficiente para cada item do escopo
Passo 3. Sistema de gestão, imparcialidade e confidencialidade Esses elementos formam a base declarada do laboratório: como ele se organiza, protege os clientes e garante decisões técnicas livres de pressões.
- Escolher entre a Opção A (sistema próprio) e a Opção B (sistema baseado na ISO 9001)
- Elaborar a análise de riscos à imparcialidade e o compromisso formal da direção
- Estabelecer as regras de confidencialidade para pessoal interno e externo
- Implementar controle de documentos e de registros
Passo 4. Pessoal, equipamentos e rastreabilidade É aqui que a competência técnica começa a ser comprovada: quem faz, com o quê, e com que garantia de medição.
- Definir requisitos de competência por função e registrar treinamentos e autorizações
- Montar o programa de calibração e de verificações intermediárias dos equipamentos
- Analisar criticamente os certificados de calibração recebidos contra os critérios de aceitação
- Garantir que os fornecedores de calibração sejam acreditados ou tenham rastreabilidade comprovada
Passo 5. Métodos, incerteza e validade dos resultados De nada adianta ter equipe e equipamentos adequados se os métodos não estão comprovados nem os resultados são monitorados.
- Verificar métodos normalizados e validar métodos próprios ou modificados
- Estimar a incerteza de medição e validar as planilhas ou softwares de cálculo
- Definir com os clientes a regra de decisão para declarações de conformidade
- Montar o plano de garantia da validade, com controles internos e participação em ensaios de proficiência
Passo 6. Auditoria interna Antes de receber a equipe da Cgcre, o laboratório audita a si mesmo, é a última chance de encontrar e corrigir problemas sem que isso vire uma não conformidade formal.
- Elaborar o programa de auditoria interna cobrindo todos os requisitos e todo o escopo
- Incluir auditoria testemunha de ensaios ou calibrações, não apenas revisão de registros
- Registrar todos os achados, inclusive técnicos
- Abrir plano de ação para cada não conformidade encontrada
Passo 7. Análise crítica pela direção A norma exige que a direção revise formalmente o desempenho do laboratório, não como formalidade burocrática, mas como decisão real sobre o que muda a partir dali.
- Reunir resultados de ensaios de proficiência e de controles internos
- Revisar reclamações, trabalhos não conformes e resultados de auditorias
- Avaliar mudanças de volume, tipo de trabalho, pessoal, recursos e riscos
- Registrar decisões e ações em ata formal
Passo 8. Avaliação pela Cgcre A etapa final: a Cgcre analisa a documentação e, depois, verifica no laboratório se tudo o que foi declarado funciona na prática.
- Reunir a documentação legal e técnica exigida para a solicitação
- Enviar a solicitação com a proposta de escopo pelo sistema da Cgcre
- Preparar a equipe técnica para demonstrar ensaios ou calibrações durante a avaliação
- Tratar as não conformidades apontadas dentro do prazo definido no regulamento
Como manter a acreditação ISO/IEC 17025 (supervisões e reavaliações)
A acreditação não é concedida uma vez e esquecida: a Cgcre realiza avaliações periódicas de supervisão e reavaliação para confirmar que o laboratório continua competente para todo o escopo acreditado, com periodicidade definida no regulamento vigente da acreditação (NIT-Dicla-031).
Entre uma avaliação e outra, o laboratório também precisa manter a participação em ensaios de proficiência, comunicar mudanças significativas (pessoal-chave, instalações, equipamentos, métodos) e pagar a manutenção anual. Ampliações de escopo são feitas por solicitação de extensão, com avaliação própria.
Não conformidades não tratadas no prazo podem levar à suspensão parcial ou total da acreditação, e, durante a suspensão, o laboratório não pode emitir resultados acreditados no escopo afetado.
O maior risco nessa fase raramente é a falta de conhecimento técnico, é operacional: perder o controle de quando um equipamento precisa de calibração, quando uma autorização de técnico precisa ser revista, quando a próxima rodada de ensaio de proficiência deveria ter sido feita ou quando um fornecedor de calibração perdeu a acreditação, sobretudo quando esses controles vivem espalhados em planilhas, e-mails e pastas compartilhadas.
Erros comuns na acreditação ISO/IEC 17025
Os mesmos erros aparecem, com poucas variações, em avaliações iniciais, supervisões e reavaliações:
| Principais erros | Causa raiz | Como o Qualiex e o Metroex resolvem |
|---|---|---|
| Equipamento com calibração vencida ou certificado recebido sem análise crítica contra os critérios de aceitação | Programa de calibração controlado em planilha, sem alerta e sem responsável definido | Metroex com gestão de padrões, checagem intermediária e notificações automáticas de vencimento por e-mail |
| Técnico emitindo resultados de um ensaio para o qual não tem autorização registrada | Treinamento feito, mas autorização e monitoramento de competência não formalizados | Módulo Treinamentos com registro de capacitações e controle de vencimentos por colaborador |
| Resultado insatisfatório em ensaio de proficiência sem investigação nem ação | Ensaio de proficiência tratado como obrigação cumprida, não como fonte de informação | Módulo Ocorrências com análise de causa, plano de ação e verificação de eficácia |
| Planilha de cálculo de incerteza ou de resultados usada sem validação e sem controle de versão | Planilha criada por um técnico e copiada entre computadores ao longo dos anos | Metroex com cálculos e avaliação de incerteza configurados no próprio sistema, validados uma vez e aplicados de forma padronizada a cada atividade |
| Certificado ou relatório emitido com dado transcrito errado do papel para a planilha | Coleta manual em papel, digitada depois por outra pessoa | Metroex App com coleta de dados no ponto de medição, inclusive sem conexão com a internet, cálculos automáticos e validações em tempo real |
| Laboratório de calibração externo ou provedor de ensaio de proficiência sem avaliação periódica | Fornecedor aprovado uma única vez e nunca reavaliado | Módulo Fornecedores com documentos com vencimento, avaliação periódica e notificações de avaliações pendentes |
| Análise de riscos à imparcialidade feita para a acreditação inicial e nunca revisada | Imparcialidade tratada como declaração, não como risco contínuo | Módulo Riscos com reavaliação periódica e planos de ação com responsável e prazo |
| Auditoria interna que só revisa documentos, sem acompanhar a execução técnica | Programa de auditoria copiado de um modelo de sistema de gestão genérico | Módulo Auditorias com checklists da norma cadastráveis e planejamento de cada auditoria, com auditores, auditados, locais e itens |
Como o Qualiex e o Metroex ajudam a manter a conformidade com a ISO/IEC 17025
É exatamente no ponto de sustentar a conformidade entre uma avaliação e outra, com calibrações, autorizações de pessoal, ensaios de proficiência, fornecedores e documentos técnicos vencendo ao mesmo tempo, que a maioria dos laboratórios perde tempo e corre risco.
Planilhas dispersas, prazos sem dono claro e ações corretivas esquecidas são a causa mais comum de não conformidade em supervisões e reavaliações.
Um laboratório acreditado precisa sustentar duas frentes ao mesmo tempo: a operação técnica, que gera os resultados, e o sistema de gestão, que garante que essa operação continue sob controle. Por isso, a ForLogic atende a ISO/IEC 17025 com duas soluções que trabalham lado a lado.
O Metroex, software especializado em metrologia, calibração e ensaios, organiza a rotina técnica do laboratório de ponta a ponta: entrada dos itens, análise de pedido, proposta e contrato, registros técnicos, avaliação da incerteza de medição, gestão de padrões e equipamentos, até a emissão e o envio de certificados e relatórios ao cliente.
Os cálculos e o layout dos certificados são customizáveis, a coleta de dados pode ser feita pelo app diretamente no ponto de medição, inclusive sem internet, e cada certificado sai com QR Code para verificação de autenticidade.
O módulo Metrologia Controle estrutura o planejamento com ordens de serviço, execução padronizada e histórico organizado para as avaliações. A implantação e o suporte são conduzidos por especialistas em metrologia e qualidade.
O Qualiex, Software para Gestão da Qualidade, centraliza documentos, ocorrências e não conformidades, riscos, planos de ação, atas e decisões, auditorias, indicadores, fornecedores e treinamentos em uma única plataforma, com módulos integrados entre si, trilha de auditoria e alertas automáticos de prazos.
É onde ficam a análise de riscos à imparcialidade, o tratamento de reclamações e trabalhos não conformes, o programa de auditoria interna e a análise crítica pela direção. Para laboratórios que fazem parte de uma empresa que já usa o Qualiex na ISO 9001, isso também significa integrar o sistema de gestão do laboratório ao SGQ na mesma plataforma, o que é especialmente útil para quem adota a Opção B e precisa acompanhar a transição para a ISO 9001:2026.
Com as duas frentes organizadas, a evidência técnica e a de gestão ficam prontas para quando o avaliador pedir, sem “garimpo” de última hora.
Se seu laboratório está se preparando para a próxima avaliação, de acreditação inicial, supervisão, reavaliação ou extensão de escopo, fale com um especialista da ForLogic e veja como o Metroex e o Qualiex podem apoiar a sua operação.
Perguntas frequentes sobre a ISO/IEC 17025
A acreditação ISO/IEC 17025 é obrigatória por lei?
Em regra, não. A acreditação é voluntária. Mas ela passa a ser exigida na prática quando um regulamento, um programa de avaliação da conformidade ou um órgão regulador determina que os ensaios ou calibrações sejam feitos por laboratório acreditado, como acontece em diversos programas do Inmetro e de ministérios e agências reguladoras. Também é comum que clientes industriais exijam resultados acreditados em contrato.
Qual a diferença entre ser acreditado e ser certificado?
A certificação atesta que uma organização tem um sistema de gestão implementado, como na ISO 9001. A acreditação vai além: reconhece formalmente que o laboratório é tecnicamente competente para executar ensaios ou calibrações específicos e produzir resultados válidos. Por isso, o termo correto para a ISO/IEC 17025 é “laboratório acreditado”, e não “certificado”.
Quem pode acreditar meu laboratório na ISO/IEC 17025?
No Brasil, a acreditação é concedida pela Cgcre (Coordenação Geral de Acreditação do Inmetro). Em outros países, por organismos de acreditação nacionais. Para que os resultados sejam aceitos internacionalmente, o organismo precisa ser signatário dos acordos de reconhecimento mútuo da Global ACI, entidade formada em 2026 pela fusão do ILAC com o IAF.
Ter ISO 9001 substitui a acreditação ISO/IEC 17025?
Não. A ISO 9001 comprova o sistema de gestão, mas não avalia competência técnica, rastreabilidade metrológica, validação de métodos nem incerteza de medição. O caminho inverso é mais próximo: um laboratório que opera conforme a ISO/IEC 17025 atende aos princípios da ISO 9001, e a própria norma permite que o sistema de gestão do laboratório seja baseado na ISO 9001 (Opção B), desde que os requisitos técnicos da 17025 sejam atendidos.
A publicação da ISO 9001:2026 afeta minha acreditação?
Não diretamente, porque a ISO/IEC 17025:2017 continua vigente e não foi alterada. O impacto aparece em dois casos: laboratórios que adotam a Opção B, cujo sistema de gestão se apoia na ISO 9001, e laboratórios de empresas certificadas ISO 9001, que vão passar pela transição até setembro de 2029. Nesses casos, vale planejar a adequação à ISO 9001:2026 de forma integrada à manutenção da acreditação.
Preciso acreditar todos os ensaios ou calibrações que o laboratório faz?
Não. A acreditação é concedida por escopo, e o laboratório escolhe quais atividades incluir. É comum começar com um escopo menor, onde a competência técnica já está bem consolidada, e ampliá-lo depois por meio de extensão. Resultados fora do escopo acreditado podem continuar sendo emitidos, mas não podem ser apresentados como acreditados.
Preciso contratar uma consultoria para acreditar o laboratório?
Não é obrigatório. Uma consultoria pode acelerar o diagnóstico, a validação de métodos e a estimativa de incerteza, especialmente em laboratórios sem experiência prévia com acreditação. Laboratórios com equipe técnica experiente, ou apoiados por um software que já centraliza evidências de gestão, muitas vezes conduzem o processo internamente, com menor custo.
O que acontece se o laboratório tiver não conformidades na avaliação?
Não existe “reprovação” definitiva. As não conformidades apontadas pela equipe avaliadora precisam ser tratadas dentro do prazo definido no regulamento da Cgcre, com evidências das ações tomadas. A decisão sobre a concessão, manutenção ou extensão da acreditação só é tomada após a análise dessas evidências. Não conformidades que comprometem a validade dos resultados podem exigir nova visita e atrasar a concessão, ou, no caso de laboratórios já acreditados, levar à suspensão do escopo afetado.
