Normas Internacionais

ISO 22000: guia completo para sua empresa em 2026

Atualizado em: · 24 min de leitura

Resposta rápida

A ISO 22000 é a norma internacional de sistemas de gestão da segurança de alimentos, aplicável a qualquer organização da cadeia de alimentos, do campo à mesa. A versão vigente é a ISO 22000:2018, que desde 2024 inclui a Emenda 1 sobre mudanças climáticas. Uma nova edição está em revisão: o rascunho (ISO/DIS 22000) circulou em 2026, e a finalização do texto está prevista para 2027. A norma define os requisitos de um Sistema de Gestão da Segurança de Alimentos (SGSA) que combina APPCC, programas de pré-requisitos e gestão de sistema.

Se você chegou até aqui, provavelmente está em uma de duas situações: sua empresa foi cobrada por um cliente, uma rede varejista ou um contrato de exportação a comprovar segurança de alimentos certificada, ou já é certificada e precisa manter o selo sem sustos na próxima auditoria, de olho na nova versão que vem aí.

Em qualquer um dos dois casos, este guia reúne o que você precisa saber agora: da definição básica ao que muda na revisão, passando pela diferença para a FSSC 22000 e a ISO 9001, custo, prazo, requisitos, preparação de auditoria e como sustentar a conformidade no dia a dia, sem depender de mutirão de última hora.

O que é a ISO 22000?

A ISO 22000 é a norma internacional que estabelece os requisitos para um Sistema de Gestão da Segurança de Alimentos (SGSA), publicada pela International Organization for Standardization (ISO) e adotada no Brasil pela ABNT como NBR ISO 22000.

Criada em 2005 e revisada em 2018, ela dá à organização uma estrutura para identificar os perigos que podem tornar um alimento inseguro, controlá-los de forma sistemática e demonstrar isso com evidência auditável.

A norma junta três peças que antes costumavam andar separadas. A primeira são os princípios do APPCC (Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle, o HACCP do Codex Alimentarius). A segunda são os programas de pré-requisitos (PPR), as boas práticas de higiene, limpeza, controle de pragas e manutenção que sustentam a operação.

A terceira é a gestão de sistema, na mesma estrutura harmonizada da ISO 9001 e da ISO 14001, organizada em torno de dois ciclos PDCA: um para o planejamento do sistema e outro para o planejamento operacional, com a comunicação entre eles como ponto de controle.

Um ponto importante: a ISO 22000 não substitui as exigências sanitárias legais, como alvará, licença sanitária ou as regras de boas práticas da Anvisa e do MAPA, nem certifica que um produto específico é seguro. Ela certifica que existe um sistema de gestão capaz de identificar perigos, manter os controles funcionando e reagir quando algo sai do esperado.

Costumam buscar a certificação: indústrias de alimentos e bebidas, fabricantes de ingredientes e aditivos, fornecedores de embalagens para alimentos, empresas de armazenagem e transporte, serviços de alimentação, produtores primários e fabricantes de ração.

O ponto em comum é estar na cadeia de alimentos e precisar comprovar a um cliente, a uma rede varejista ou a um importador que os riscos à segurança do alimento estão sob controle.

ISO 22000 em 2026: versão vigente, revisão em andamento e o que isso significa para sua certificação

Este é o dado mais importante para quem está planejando uma certificação agora: a norma auditável hoje continua sendo a ISO 22000:2018, com a Emenda 1:2024, que passou a exigir que a organização avalie se mudanças climáticas são uma questão relevante para o seu SGSA. Ao mesmo tempo, a ISO está revisando a norma.

O comitê responsável (ISO/TC 34/SC 17) enviou o rascunho para consulta pública (DIS) em 2026, vai analisar os comentários em novembro de 2026 e planeja finalizar o texto (FDIS) em março de 2027, o que aponta para uma publicação ao longo de 2027.

A boa notícia: tudo indica uma revisão evolutiva, e quem começar agora não perde o trabalho. A estrutura harmonizada, o APPCC e os PPR permanecem. Os pontos que já aparecem no rascunho merecem atenção desde já, mas lembre que o DIS ainda pode mudar antes da versão final.

AspectoISO 22000:2018 (+ Emenda 1:2024)ISO/DIS 22000 (rascunho em revisão)
Estrutura10 cláusulas, estrutura harmonizadaMantida, alinhada à versão mais recente da estrutura harmonizada
Mudanças climáticas (4.1)Incluídas pela Emenda 1:2024Reforçadas: secas e temperaturas extremas como fatores que afetam a segurança de ingredientes
Cultura de segurança de alimentosNão é requisito explícitoPassa a ser requisito na cláusula 5.4
Food defense e food fraudNão são requisitos explícitosTratados no rascunho; os anexos de orientação foram retirados e serão publicados como guias à parte
ReclamaçõesTratadas de forma dispersaNova seção dedicada à gestão de reclamações (10.3)
Transição—Será definida após a publicação; nas últimas revisões de normas ISO, o prazo foi de 3 anos

Se sua empresa já é certificada na ISO 22000:2018, nada muda no curto prazo: o certificado segue válido e as próximas auditorias continuam na versão atual até a nova edição sair e as regras de transição serem publicadas.

Para quem é certificado na FSSC 22000, o calendário é outro e mais apertado: a Versão 7 do esquema foi publicada em maio de 2026, as auditorias na Versão 6 só são aceitas até 30 de abril de 2027, e as auditorias de atualização para a Versão 7 acontecem entre 1º de maio de 2027 e 30 de abril de 2028.

Vale mapear os pontos da tabela acima contra o seu SGSA desde já: cultura de segurança de alimentos, food defense e food fraud já são cobrados pela FSSC 22000 e por outros esquemas reconhecidos pela GFSI, então antecipá-los tem valor imediato.

ISO 22000 x FSSC 22000 x ISO 9001: qual a diferença?

A dúvida mais comum de quem está começando é qual certificação buscar. A resposta costuma depender de quem é o cliente e do que ele exige na homologação.

AspectoISO 9001ISO 22000FSSC 22000
O que éNorma de gestão da qualidadeNorma de gestão da segurança de alimentosEsquema de certificação baseado na ISO 22000
FocoQualidade de produtos e serviços e satisfação do clienteControle de perigos que tornam o alimento inseguroO mesmo da ISO 22000, com requisitos adicionais do esquema
ComposiçãoNorma únicaNorma única, com PPR definidos pela própria empresaISO 22000 + PPR setoriais da série ISO 22002 + requisitos adicionais FSSC
Elemento centralProcessos e requisitos do clienteAPPCC, PPR e PPR operacionaisAPPCC e PPR setoriais obrigatórios, food defense, food fraud, cultura de segurança de alimentos
Reconhecimento pela GFSINãoNãoSim, aceito por grandes varejistas e indústrias globais
Versão atualISO 9001:2026ISO 22000:2018 + Emenda 1:2024 (em revisão)Versão 7, publicada em maio de 2026
Quem costuma exigirClientes B2B e licitações em geralClientes da cadeia de alimentos e contratos de exportaçãoMultinacionais de alimentos, grandes redes varejistas e marcas próprias

Na prática, a ISO 22000 é a base das duas coisas: toda empresa certificada na FSSC 22000 atende à ISO 22000, mas o contrário não vale. Se o seu cliente pede um certificado reconhecido pela GFSI, a ISO 22000 sozinha não basta, e o caminho natural é a FSSC 22000.

E como a ISO 22000 segue a mesma estrutura da ISO 9001, empresas que já têm um SGQ certificado reaproveitam controle de documentos, auditoria interna, ação corretiva e análise crítica.

Quais são os benefícios da ISO 22000 para a empresa?

Além do selo em si, a certificação resolve problemas concretos de gestão:

Abre portas comerciais: indústrias, redes de food service e importadores cada vez mais pedem segurança de alimentos certificada na homologação de fornecedores, e a ISO 22000 é reconhecida em qualquer mercado. Para quem mira clientes que exigem GFSI, ela é também o primeiro degrau para a FSSC 22000.

Reduz o risco de recall e de crise: a análise de perigos obriga a empresa a pensar antes nos cenários de contaminação física, química, biológica e por alergênicos, e a ter rastreabilidade e procedimento de recolhimento testados antes de precisar deles.

Organiza a relação com a fiscalização: a norma exige identificar e cumprir os requisitos legais e regulamentares aplicáveis, o que ajuda a manter em dia as exigências de boas práticas, rotulagem e registros cobradas pela vigilância sanitária e pelo MAPA.

Diminui perdas e retrabalho: controles de PCC e PPRO monitorados com critério claro reduzem produto fora de especificação, descarte de lotes e reprocesso.

Cria uma linguagem comum com a cadeia: a comunicação externa com fornecedores, clientes e autoridades é requisito da norma, o que torna mais rápido responder a questionários de homologação e auditorias de segunda parte.

Facilita o sistema integrado: quem já tem a ISO 9001 ou a ISO 14001 implementa a ISO 22000 com bem menos esforço, porque as normas compartilham a estrutura harmonizada. Documentos, auditorias internas, ações corretivas e análise crítica podem ser únicos para todas.

Quanto custa e quanto tempo leva para certificar a ISO 22000?

Não existe um valor fixo de mercado, e o investimento varia conforme uma combinação de fatores:

FatorImpacto no custo/prazo
Porte da empresa e número de unidadesMais colaboradores e sites = mais dias de auditoria
Número de estudos APPCCO tempo de auditoria considera quantos planos APPCC a empresa mantém: uma fábrica com várias linhas e famílias de produto exige mais dias do que um armazém
Categoria da cadeia de alimentosProcessamento de produtos perecíveis ou de alto risco pede mais tempo do que armazenagem de produtos embalados
Estado da infraestrutura e dos PPRAdequações físicas (layout, fluxo de pessoas, instalações sanitárias, controle de pragas) podem pesar mais do que a documentação
Maturidade do sistema atual (já é ISO 9001?)Empresas com SGQ certificado reaproveitam boa parte da estrutura documental e de processos
Organismo certificador escolhidoTaxas variam entre organismos acreditados
Consultoria externaOpcional, mas acelera a análise de perigos, a validação das medidas de controle e a estruturação dos PPR

Como referência geral, empresas que partem do zero costumam levar entre 6 e 12 meses da decisão até a auditoria de certificação, considerando diagnóstico, adequação dos PPR, formação da equipe de segurança de alimentos, estudos APPCC, implementação dos controles, auditoria interna e as duas etapas da auditoria externa (Estágio 1 e Estágio 2).

Quando há obras de adequação da infraestrutura, o prazo tende a ficar no limite superior. Empresas que já operam com boas práticas consolidadas e uma ISO 9001 madura, ou que centralizam evidências em um sistema de gestão, costumam reduzir esse prazo de forma significativa.

Quais são os requisitos e documentos obrigatórios da ISO 22000?

A norma não exige um manual extenso, mas exige informação documentada específica. Os itens que auditores mais cobram na prática:

  • Escopo do SGSA e política de segurança de alimentos
  • Análise de contexto, incluindo mudanças climáticas, e partes interessadas relevantes
  • Objetivos do SGSA, indicadores e planejamento para alcançá-los
  • Definição da equipe de segurança de alimentos, com registro de competência de cada membro
  • PPR implementados para cada área: instalações, água, limpeza e sanitização, controle de pragas, higiene pessoal, manutenção, armazenagem e transporte
  • Especificações de matérias-primas, ingredientes e materiais em contato com o produto, e características dos produtos finais
  • Fluxogramas de processo, confirmados no local
  • Análise de perigos, com identificação, avaliação e seleção das medidas de controle
  • Plano de controle de perigos (plano APPCC/PPRO), com limites críticos ou critérios de ação, monitoramento, correções e responsáveis
  • Validação das medidas de controle e verificação do sistema
  • Registros de monitoramento dos PCC e PPRO, com equipamentos de medição calibrados
  • Controle de produto potencialmente inseguro, rastreabilidade e procedimento de recolhimento (recall), com registro de simulações
  • Plano de preparação e resposta a emergências
  • Critérios de avaliação e seleção de fornecedores e prestadores de serviço externos
  • Resultados de auditorias internas, registros de não conformidade e ação corretiva
  • Atas de análise crítica pela direção

Além do SGSA, o auditor costuma cruzar a documentação do sistema com a documentação legal da operação: licença sanitária, registro de produtos quando aplicável, manual de boas práticas exigido pela vigilância sanitária ou pelo MAPA, laudos de potabilidade da água e certificados da empresa de controle de pragas.

O erro mais comum não é a falta de documento, é o plano APPCC que existe mas não reflete a linha real, ou o fluxograma que não bate com o que o auditor vê na fábrica. Auditores identificam rapidamente quando o SGSA é “de papel” e não “de rotina”, porque comparam o que está no documento com o que encontram ao percorrer a produção.

Como se preparar para a auditoria de certificação ISO 22000

Um caminho estruturado reduz não conformidades no dia da auditoria:

  1. Diagnóstico de maturidade (gap analysis) contra os requisitos da ISO 22000:2018 e das boas práticas aplicáveis.
  2. Definição de escopo, política de segurança de alimentos e análise de contexto, com a equipe de segurança de alimentos formada.
  3. Adequação e implementação dos programas de pré-requisitos (PPR) em todas as áreas.
  4. Descrição de produtos e processos, com fluxogramas confirmados no local.
  5. Análise de perigos e elaboração do plano de controle de perigos (PCC e PPRO), com validação das medidas de controle.
  6. Rastreabilidade, controle de produto potencialmente inseguro, recall e emergências, com simulação registrada.
  7. Auditoria interna e análise crítica pela direção, com correção das não conformidades encontradas.
  8. Auditoria externa em duas etapas: Estágio 1 (revisão documental e visita inicial) e Estágio 2 (verificação da implementação na prática).

Quanto mais cedo a evidência é gerada como rotina, e não reunida às pressas antes da visita do auditor, menor o risco de não conformidade, e menor o desgaste da equipe no processo.

O que o auditor avalia na auditoria de certificação ISO 22000

Antes de organizar a preparação, vale saber exatamente o que está sendo checado. Na ISO 22000, o auditor confere se o SGSA sai do papel: se o que está no plano APPCC, nos PPR e nos procedimentos é o que acontece na linha, turno após turno.

Área da normaO que o auditor avaliaEvidência típica esperadaComo o Qualiex ajuda
Contexto e liderança (4 e 5)Se o contexto considera mudanças climáticas e partes interessadas, e se a direção sustenta a política e os recursos do SGSAAnálise de contexto documentada, política de segurança de alimentos, responsabilidades definidasMódulo Documentos com controle de versão, data de próxima revisão e confirmação de leitura pela equipe
Programas de pré-requisitos (8.2)Se os PPR estão implementados em todas as áreas e se há registro de que são cumpridos na rotinaProcedimentos de limpeza, controle de pragas, higiene e manutenção; checklists e registros de inspeçãoMódulo Auditorias com checklists cadastráveis e app com modo offline, para inspeções de PPR direto no chão de fábrica
Análise de perigos (8.5.2)Se todos os perigos físicos, químicos, biológicos e alergênicos foram identificados e avaliados com critério claroEstudo de análise de perigos, fluxogramas confirmados no localMódulo Riscos com matrizes configuráveis para a avaliação de perigos, e módulo Fluxos para mapear os processos vinculados aos riscos
Plano de controle de perigos (8.5.4)Se PCC e PPRO têm limites críticos ou critérios de ação, monitoramento e correções definidos e seguidosPlano APPCC/PPRO, registros de monitoramento, registros de correçõesMódulo Indicadores com metas e alerta de coleta atrasada; desvios registrados no módulo Ocorrências
Verificação e calibração (8.7 e 8.8)Se as medições que sustentam os PCC são confiáveis e se o sistema é verificado periodicamenteCertificados de calibração, relatórios de verificaçãoMódulo Metrologia com alertas de vencimento de calibração e histórico dos instrumentos
Rastreabilidade, produto inseguro e recall (8.3 e 8.9)Se a empresa rastreia lotes, trata produto potencialmente inseguro e testou o recolhimentoRegistros de rastreabilidade, simulações de recall, tratamento de não conformesMódulo Ocorrências com análise de causa, plano de ação e verificação de eficácia para cada desvio e simulação
Fornecedores (7.1.6)Se matérias-primas, embalagens e serviços externos têm critérios de aprovação e são reavaliadosCritérios de homologação, laudos e certificados de fornecedores, avaliações periódicasMódulo Fornecedores com documentos com vencimento, avaliação periódica e Portal do Fornecedor
Competência e treinamento (7.2)Se a equipe de segurança de alimentos e os operadores de PCC são competentesMatriz de qualificação, registros de treinamento e reciclagemMódulo Treinamentos com matriz de competências, reciclagens e treinamento disparado automaticamente quando um procedimento é revisado
Auditoria interna e análise crítica (9.2 e 9.3)Se o programa de auditoria cobre o SGSA e se a direção analisa desempenho, verificações e mudançasPrograma e relatórios de auditoria, ata de análise críticaMódulo Auditorias com planejamento de auditores, auditados, locais e itens, e módulo Atas e Decisões vinculado a indicadores e planos de ação

Checklist de preparação para a auditoria de certificação ISO 22000

Separamos as 8 etapas de preparação em blocos individuais. Copie cada uma para a ferramenta de gestão de tarefas da sua equipe, e use como checklist de acompanhamento até a data da auditoria.

Passo 1. Diagnóstico de maturidade Antes de implementar qualquer coisa, é preciso saber exatamente onde a empresa está em relação aos requisitos da ISO 22000, sem isso, o esforço se dispersa em pontos que já estão resolvidos.

  • Revisar os requisitos da ISO 22000:2018 cláusula por cláusula, incluindo a Emenda 1:2024
  • Identificar o que já existe, o que existe parcialmente e o que não existe
  • Verificar a situação da licença sanitária, do manual de boas práticas e das adequações de infraestrutura pendentes
  • Priorizar os gaps por criticidade e prazo até a auditoria

Passo 2. Escopo, política, contexto e equipe Esses elementos formam a base declarada do SGSA: definem o que será certificado, em que cenário a empresa opera e quem responde pela segurança de alimentos.

  • Definir por escrito o escopo do SGSA, com unidades, produtos e linhas cobertos
  • Elaborar a análise de contexto, incluindo mudanças climáticas, e mapear as partes interessadas
  • Formar a equipe de segurança de alimentos multidisciplinar e registrar a competência de cada membro
  • Aprovar e comunicar a política de segurança de alimentos a toda a equipe

Passo 3. Programas de pré-requisitos Sem PPR sólidos, nenhum plano APPCC se sustenta: são eles que mantêm o ambiente de produção sob controle todos os dias.

  • Definir os PPR aplicáveis a cada área, usando a ISO/TS 22002 do seu setor como referência
  • Implementar procedimentos de limpeza, higiene pessoal, controle de pragas, água, manutenção e armazenagem
  • Tratar alergênicos, contaminação cruzada e controle de materiais estranhos
  • Criar os registros de inspeção e verificação de cada PPR

Passo 4. Produtos e fluxogramas A análise de perigos só é tão boa quanto a descrição do que a empresa realmente produz e de como produz.

  • Documentar especificações de matérias-primas, ingredientes, embalagens e produtos finais
  • Definir o uso pretendido de cada produto e os consumidores sensíveis
  • Elaborar os fluxogramas de cada processo, da recepção à expedição
  • Confirmar cada fluxograma no local com a equipe de segurança de alimentos

Passo 5. Análise de perigos e plano de controle É o coração técnico do SGSA: cada perigo identificado precisa terminar em uma medida de controle validada, monitorada e com responsável.

  • Identificar perigos físicos, químicos, biológicos e alergênicos em cada etapa
  • Avaliar os perigos e selecionar as medidas de controle, classificando-as como PCC ou PPRO
  • Definir limites críticos ou critérios de ação, monitoramento, correções e responsáveis
  • Validar as medidas de controle antes de implementá-las

Passo 6. Rastreabilidade, recall e emergências A norma exige que a empresa esteja preparada para o cenário em que algo dá errado, e que prove isso antes de acontecer.

  • Implementar o sistema de rastreabilidade de lotes, um passo para trás e um passo para frente
  • Definir o tratamento de produto potencialmente inseguro e o procedimento de recolhimento
  • Realizar e registrar ao menos uma simulação de recall e de rastreabilidade
  • Elaborar o plano de preparação e resposta a emergências

Passo 7. Auditoria interna e análise crítica Antes de receber o auditor externo, a empresa audita a si mesma, é a última chance de encontrar e corrigir problemas sem que isso vire uma não conformidade formal.

  • Elaborar o programa de auditoria interna cobrindo todo o SGSA
  • Executar a auditoria com um auditor interno qualificado em ISO 22000
  • Abrir plano de ação para cada não conformidade encontrada
  • Realizar a análise crítica pela direção e registrar decisões em ata formal

Passo 8. Auditoria externa (Estágio 1 e Estágio 2) A etapa final: um organismo certificador acreditado verifica, primeiro em documentos e depois na prática, se tudo o que foi implementado realmente funciona como declarado.

  • Confirmar que o organismo escolhido é acreditado para a ISO 22000 na categoria da sua empresa
  • Reunir e organizar a documentação do SGSA e a documentação legal para o Estágio 1
  • Preparar as áreas produtivas e a equipe para entrevistas e verificação prática no Estágio 2
  • Definir um responsável para acompanhar o auditor durante toda a visita

Como manter a certificação ISO 22000 (auditorias de manutenção e recertificação)

A certificação ISO 22000 tem validade de três anos, mas não fica “parada” nesse período: o organismo certificador realiza auditorias de manutenção, geralmente anuais, para confirmar que o SGSA continua ativo.

Ao final do ciclo, a recertificação repete, em versão reduzida, o processo de certificação inicial. Quando a nova edição da ISO 22000 for publicada, uma dessas auditorias passará a ser também a auditoria de transição, dentro do prazo que for definido para a migração.

Não conformidades não tratadas em auditorias de manutenção podem levar à suspensão ou até ao cancelamento do certificado. O maior risco nessa fase raramente é técnico, é operacional: perder o controle de quando um laudo de fornecedor vence, de quando um termômetro de PCC precisa de nova calibração, de quando a simulação de recall deveria ter sido refeita.

Ou de quando uma mudança de receita, de linha ou de fornecedor deveria ter levado à revisão do plano APPCC, sobretudo quando esses controles vivem espalhados em planilhas, pranchetas, e-mails e pastas compartilhadas.

Erros comuns na certificação ISO 22000

Os mesmos erros aparecem, com poucas variações, em auditorias de certificação, manutenção e recertificação:

Principais errosCausa raizComo o Qualiex resolve
Plano APPCC desatualizado em relação à linha real, depois de mudança de receita, equipamento ou fornecedorEstudo tratado como evento único, feito para a certificação e nunca revisadoMódulo Riscos com reavaliação periódica e planos de ação vinculados, e módulo Documentos com data de próxima revisão e aviso automático
Registros de monitoramento de PCC incompletos, preenchidos depois do turno ou sem correção registrada quando o limite foi ultrapassadoControle em papel, sem alerta para coleta atrasada nem vínculo entre o desvio e a açãoMódulo Indicadores com alerta de coleta atrasada, coleta pelo app e desvios abertos como ocorrência no módulo Ocorrências
Termômetro, balança ou detector de metais de PCC com calibração vencidaPrazos de calibração controlados em planilha pessoal ou na memória de uma única pessoaMódulo Metrologia com alertas de vencimento de calibração, validação de certificados e histórico dos instrumentos
Fornecedor de matéria-prima ou embalagem com laudo ou certificado vencidoFornecedor homologado uma única vez e nunca mais reavaliadoMódulo Fornecedores com documentos com vencimento, avaliação periódica e notificações de avaliações pendentes
Simulação de recall feita, mas sem registro de tempo, falhas e melhoriasTeste tratado como obrigação cumprida, não como fonte de aprendizadoMódulo Ocorrências com análise de causa, plano de ação e verificação de eficácia para cada falha encontrada na simulação
Operador de PCC sem treinamento na versão atual do procedimentoProcedimento revisado sem reciclagem da equipe que executaMódulo Treinamentos com treinamento disparado automaticamente quando um procedimento é revisado
Auditoria interna copiada de um modelo genérico, sem cobrir PPR e plano de controlePrograma de auditoria não ajustado à operação e às categorias de produtoMódulo Auditorias com checklists da norma e dos PPR cadastráveis e planejamento de cada auditoria, com auditores, auditados, locais e itens

Como um software de gestão ajuda a manter a conformidade com a ISO 22000

É exatamente no ponto de sustentar a conformidade entre uma auditoria e outra, com registros de PCC, PPR, laudos de fornecedores, calibrações e simulações de recall rodando ao mesmo tempo em vários turnos, que a maioria das equipes de qualidade e segurança de alimentos perde tempo e corre risco.

Planilhas dispersas, pranchetas que só chegam ao escritório no fim da semana e ações corretivas esquecidas são a causa mais comum de não conformidade em auditorias de manutenção e recertificação.

O Qualiex, Software para Gestão da Qualidade, centraliza documentos, ocorrências e não conformidades, riscos, fluxos de processo, planos de ação, atas e decisões, auditorias, indicadores, fornecedores, metrologia e treinamentos em uma única plataforma, com módulos integrados entre si, trilha de auditoria e alertas automáticos de prazos.

A evidência fica pronta para quando o auditor pedir, sem “garimpo” de última hora. Para empresas que já usam o Qualiex na ISO 9001, isso também significa integrar o SGSA ao SGQ na mesma plataforma e, para quem vai enfrentar a nova edição da ISO 22000 ou a FSSC 22000 Versão 7, mapear em um só lugar quais controles atuais já atendem e quais precisam de ajuste.

Se sua empresa está avaliando a maturidade do seu SGSA para a próxima auditoria, de certificação, manutenção ou transição, fale com um especialista do Qualiex.

Perguntas frequentes sobre a ISO 22000

A certificação ISO 22000 é obrigatória por lei?

Não. A ISO 22000 é uma certificação voluntária, e nenhuma legislação exige o certificado em si. O que é obrigatório por lei é cumprir a legislação sanitária de cada país, incluindo boas práticas de fabricação, licenças e registros. Na prática, a certificação costuma ser exigida por contrato: clientes industriais, redes varejistas e importadores pedem o certificado como pré-requisito comercial.

Qual a diferença entre ISO 22000 e APPCC?

O APPCC é uma metodologia de análise de perigos e controle de pontos críticos, definida pelo Codex Alimentarius. A ISO 22000 incorpora os princípios do APPCC e acrescenta a gestão de sistema: contexto, liderança, programas de pré-requisitos, gestão de fornecedores, comunicação na cadeia, auditoria interna, análise crítica e melhoria contínua. Quem tem um APPCC bem implementado já tem uma parte importante do caminho feita.

A ISO 22000 é reconhecida pela GFSI?

Não sozinha. A GFSI reconhece esquemas de certificação, e a FSSC 22000, que é construída sobre a ISO 22000 com PPR setoriais e requisitos adicionais, é um deles. Se o seu cliente exige um certificado reconhecido pela GFSI, o caminho é a FSSC 22000 ou outro esquema reconhecido, e a ISO 22000 é a base para chegar lá.

Minha empresa certificada na ISO 22000:2018 perde o certificado com a nova versão?

Não. A nova edição ainda está em revisão, com finalização do texto prevista para 2027. Depois da publicação, haverá um período de transição, que nas últimas revisões de normas ISO foi de três anos. Até lá, o certificado na versão 2018 continua valendo normalmente, desde que as auditorias de manutenção sejam cumpridas. As datas exatas para o seu caso devem ser confirmadas com o organismo certificador.

Preciso ter a ISO 9001 antes de buscar a ISO 22000?

Não. As duas normas são independentes e podem ser certificadas separadamente, em qualquer ordem. Mas empresas que já têm uma ISO 9001 madura chegam com vantagem: como as normas compartilham a mesma estrutura, processos como controle de documentos, auditoria interna, ação corretiva e análise crítica podem ser aproveitados, e o esforço se concentra nos elementos de segurança de alimentos (PPR, análise de perigos, plano de controle, rastreabilidade e recall).

Qualquer organismo pode certificar minha empresa na ISO 22000?

Não. Verifique se o organismo certificador é acreditado para a ISO 22000 por um organismo de acreditação reconhecido internacionalmente, membro dos acordos de reconhecimento mútuo da Global ACI (entidade formada pela fusão do IAF com o ILAC); no Brasil, a acreditação é feita pela Cgcre/Inmetro. Confirme também se a acreditação cobre a categoria da cadeia de alimentos em que sua empresa atua. Certificados emitidos por organismos não acreditados podem não ser aceitos por clientes.

Preciso contratar uma consultoria para certificar a ISO 22000?

Não é obrigatório. Uma consultoria pode acelerar a análise de perigos, a validação das medidas de controle e a estruturação dos PPR, especialmente para empresas sem experiência prévia em sistemas de gestão ou com processos de alto risco. Empresas com uma equipe de qualidade experiente, ou apoiadas por um software que já centraliza evidências, muitas vezes conduzem o processo internamente, com menor custo.

Quanto tempo dura a auditoria de certificação?

Varia conforme o porte da empresa, o número de unidades, a categoria da cadeia de alimentos e o número de estudos APPCC, que são critérios usados pelo organismo certificador para calcular os dias de auditoria. O processo segue sempre duas etapas: o Estágio 1, mais curto, focado na revisão documental e em uma primeira visita às instalações, e o Estágio 2, que verifica a implementação na prática e pode levar de um a alguns dias por site auditado.

O que acontece se minha empresa for reprovada na auditoria de certificação?

Não existe “reprovação” definitiva. Não conformidades menores geram um prazo para apresentação de plano de ação, sem impedir a emissão do certificado. Já uma não conformidade maior, como um PCC sem monitoramento, a falta de análise de perigos para uma linha ou um sistema de rastreabilidade que não funciona na simulação, impede a emissão até que a empresa comprove a correção, o que normalmente exige uma nova visita do organismo certificador.

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Autoria

Rodolfo Paludeto - Especialista em Gestão da Qualidade

Rodolfo Paludeto

Sou Diretor Executivo da Saber Gestão, acredito que Qualidade é o componente que pode transformar o mundo para melhor, por isso meu propósito é tornar a qualidade simples e efetiva para as pessoas. Sou Especialista em Qualidade, Excelência e Gestão, auditor Líder nas normas ISO 9001 / 14001 / 45001, auditor na 17025, mais de 15 anos atuando e construindo a qualidade através de treinamentos, consultorias e mentorias.

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