Se você chegou até aqui, provavelmente está em uma de duas situações: sua instituição de saúde quer conquistar a primeira Acreditação ONA, ou já é acreditada e precisa manter, ou subir de nível, sem sustos na próxima visita de manutenção ou reacreditação.
Em qualquer um dos dois casos, este guia reúne o que você precisa saber agora: da definição básica às mudanças do Manual OPSS 2026, passando pelos níveis de acreditação, custo, prazo, requisitos, preparação para a visita de avaliação e como sustentar a conformidade no dia a dia, sem depender de mutirão de última hora.
O que é a Acreditação ONA?
A Acreditação ONA é um processo de avaliação externa, periódica e voluntária que verifica se uma organização de saúde atende a padrões definidos de qualidade e segurança do paciente. Ela é gerida pela Organização Nacional de Acreditação (ONA), entidade privada e sem fins lucrativos criada em 1999, e tem a metodologia reconhecida pela ISQua (International Society for Quality in Health Care), a principal referência internacional em acreditação em saúde.
O ponto que mais confunde quem vem do mundo ISO: a ONA não é uma norma internacional, e a acreditação não é uma certificação de sistema de gestão. O referencial é o Manual Brasileiro de Acreditação, escrito especificamente para serviços de saúde, e a avaliação olha para a assistência em si: o cuidado ao paciente, os processos clínicos, o diagnóstico, o apoio e a gestão, área por área.
Também não é a própria ONA quem vai até a instituição: a visita é feita por uma Instituição Acreditadora Credenciada (IAC), empresa autorizada pela ONA a conduzir as avaliações.
Costumam buscar a acreditação: hospitais públicos e privados, clínicas e serviços ambulatoriais, laboratórios clínicos, serviços de diagnóstico por imagem, hemoterapia, nefrologia, oncologia, atenção domiciliar, pronto atendimento e UPAs, além de serviços odontológicos.
Com o Manual OPSS 2026, também passam a ser elegíveis serviços como anatomia patológica, atenção primária, atendimento pré-hospitalar, transporte inter-hospitalar e telemedicina. Para muitas dessas organizações, o selo deixou de ser apenas reputação e passou a pesar em credenciamento com operadoras de planos de saúde, contratos com o poder público e negociação de remuneração.
Manual OPSS 2026: o que mudou na Acreditação ONA
Este é o dado mais importante para quem está planejando uma acreditação ou reacreditação agora: a ONA lançou oficialmente o Manual para Organizações Prestadoras de Serviços de Saúde (OPSS) 2026 em 9 de dezembro de 2025, em São Paulo.
A própria ONA chama a revisão de “um salto de maturidade” do sistema brasileiro de acreditação, e, pela primeira vez, as Normas Orientadoras e as Normas de Avaliação foram revisadas ao mesmo tempo que o manual.
Diferente da ISO 9001:2026, que foi uma revisão evolutiva, aqui a mudança é de lógica: a acreditação deixa de ser lida como uma verificação de conformidade documental setor a setor e passa a avaliar a maturidade da organização ao longo de toda a jornada do paciente. Os principais pontos:
| Aspecto | Manual OPSS 2022 | Manual OPSS 2026 |
|---|---|---|
| Lógica de avaliação | Requisitos por setor e serviço | Requisitos transversais, organizados pela jornada do paciente |
| Seção 1, Gestão Organizacional | 10 subseções | 4 subseções, com governança, impacto social (equidade em saúde) e impacto ambiental (ESG) |
| Seção 2, Atenção ao Paciente | Organizada por tipo de serviço assistencial | Organizada em 6 fases da jornada do paciente: conscientização da necessidade, busca por atendimento, chegada e acolhimento, atendimento e diagnóstico, tratamento e procedimentos, continuidade do cuidado |
| Seção 3, Diagnóstico e Terapêutica | Laboratório, imagem e outros serviços | Mantém esses serviços e passa a incluir hemoterapia, que estava na Seção 2 |
| Seção 4, Gestão do Apoio | Áreas de apoio tradicionais | Incorpora suprimentos, logística, farmácia, nutrição, tecnologia e segurança da informação |
| Modelos de acreditação | Acreditação por organização | Novos modelos de Acreditação de Rede Assistencial (governança assistencial unificada) e de Rede Corporativa (governança administrativa centralizada) |
| Serviços elegíveis | Lista do manual 2022 | Inclui anatomia patológica, atenção primária, pré-hospitalar, transporte inter-hospitalar e telemedicina |
| Ciclo do manual | 2022 a 2025 | Ciclo de quatro anos, a partir de 2026 |
A estrutura de três níveis (Acreditado, Acreditado Pleno e Acreditado com Excelência) foi mantida, e cada seção continua tendo requisitos específicos de Nível 2 e Nível 3. O que muda é onde o avaliador vai procurar evidência: menos em pastas por setor e mais no caminho real que o paciente percorre dentro da instituição.
Se sua instituição já é acreditada pelo manual 2022, o certificado em vigor continua válido até o fim do seu prazo. A data a partir da qual cada visita passa a usar o manual 2026 deve ser confirmada com a sua IAC, conforme as regras de transição das Normas Orientadoras.
Vale mapear desde já os temas novos, principalmente ESG, governança e a leitura transversal da jornada do paciente, para não concentrar a adaptação às vésperas da próxima visita.
Acreditação ONA x ISO 9001: qual a diferença?
Muitas instituições de saúde têm ou já tiveram ISO 9001 e se perguntam se precisam das duas. Não são concorrentes: a ISO 9001 certifica o sistema de gestão da qualidade; a ONA avalia a qualidade e a segurança da assistência. Uma base ISO 9001 madura ajuda bastante na ONA, mas não cobre os requisitos assistenciais.
| Aspecto | ISO 9001 | Acreditação ONA |
|---|---|---|
| Natureza | Norma internacional de sistema de gestão | Metodologia brasileira de acreditação em saúde |
| Aplicação | Qualquer setor ou porte de empresa | Exclusiva para organizações e serviços de saúde |
| Referencial | Cláusulas da ISO 9001 (Anexo SL) | Manual Brasileiro de Acreditação (Manual OPSS 2026) e Normas Orientadoras |
| Quem avalia | Organismo certificador acreditado (no Brasil, pela Cgcre/Inmetro) | Instituição Acreditadora Credenciada (IAC) pela ONA |
| Foco da avaliação | Processos e sistema de gestão | Segurança do paciente, processos assistenciais, gestão integrada e maturidade, ao longo da jornada do paciente |
| Resultado | Certificado ou não certificado | Três níveis: Acreditado, Acreditado Pleno, Acreditado com Excelência |
| Validade | 3 anos, com auditorias de manutenção | 2 anos (Níveis 1 e 2) ou 3 anos (Nível 3), com visitas de manutenção |
| Reconhecimento | Internacional, via IAF | Nacional, com metodologia reconhecida pela ISQua |
Há ainda acreditações internacionais em saúde, como a Joint Commission International (JCI) e a Qmentum, da Accreditation Canada. Elas têm o mesmo propósito da ONA, mas usam padrões internacionais. A ONA costuma ser a porta de entrada para instituições brasileiras, por ser escrita a partir da realidade regulatória e assistencial do país.
Quais são os níveis da Acreditação ONA?
A ONA avalia a instituição em três níveis cumulativos: para chegar ao Nível 2, é preciso atender ao Nível 1; para o Nível 3, aos dois anteriores.
| Nível | Título | O que é avaliado | Validade do certificado |
|---|---|---|---|
| Nível 1 | Acreditado | Padrões de qualidade e segurança do paciente em todas as áreas: estrutura, riscos assistenciais identificados, processos planejados e implantados | 2 anos |
| Nível 2 | Acreditado Pleno | Gestão integrada: processos que conversam entre si, indicadores monitorados e analisados, comunicação entre áreas | 2 anos |
| Nível 3 | Acreditado com Excelência | Cultura organizacional de melhoria contínua: ciclos de melhoria com eficácia comprovada, resultados sustentados e maturidade de gestão | 3 anos |
Cada nível exige um percentual mínimo de atendimento aos requisitos de cada grupo de padrões, definido nas Normas de Avaliação. Como essas normas foram revisadas junto com o Manual OPSS 2026, confirme com sua IAC os percentuais e os prazos de validade aplicáveis à sua próxima visita.
Quais são os benefícios da Acreditação ONA para a instituição?
Além do selo em si, a acreditação resolve problemas concretos de gestão em saúde:
- Aumenta a segurança do paciente, ao exigir que riscos assistenciais sejam identificados, tratados e monitorados de forma sistemática, e não só depois de um evento adverso.
- Fortalece a posição comercial com operadoras de planos de saúde, que usam a acreditação como critério de qualificação de rede, credenciamento e negociação de remuneração.
- Pesa em contratos e convênios com o poder público e no relacionamento com fontes pagadoras, que cada vez mais pedem evidência objetiva de qualidade.
- Padroniza processos assistenciais e de apoio, reduzindo variação entre turnos, equipes e unidades.
- Institucionaliza a melhoria contínua com indicadores e ciclos de melhoria formais, em vez de depender de esforços pontuais ligados a uma pessoa específica.
- Dá uma trilha clara de evolução: a instituição pode começar no Nível 1 e subir de nível a cada ciclo, com um roteiro de maturidade já definido.
Quanto custa e quanto tempo leva para conquistar a Acreditação ONA?
Não existe um valor fixo de mercado: o investimento é orçado pela IAC escolhida e varia conforme uma combinação de fatores:
| Fator | Impacto no custo/prazo |
|---|---|
| Porte e complexidade da instituição | Mais leitos, serviços e unidades = mais dias de visita e mais avaliadores |
| Nível pretendido | Níveis 2 e 3 exigem gestão integrada e ciclos de melhoria comprovados, o que alonga a preparação |
| Maturidade atual | Instituições com protocolos, indicadores e gestão de riscos já estruturados chegam à visita mais rápido |
| Serviços terceirizados | Serviços críticos terceirizados também entram na avaliação e precisam de evidência de gestão do contrato |
| Diagnóstico organizacional | Etapa opcional, mas recomendada para mapear lacunas antes da visita de certificação |
| Consultoria externa | Opcional, mas acelera a preparação e a tradução dos requisitos para a rotina |
| Modelo de acreditação | Acreditação de rede assistencial ou corporativa envolve mais unidades e uma governança comum a ser evidenciada |
Como referência geral de mercado, instituições que partem do zero costumam levar de 12 a 24 meses da decisão até a visita de certificação no Nível 1, considerando diagnóstico, implantação de protocolos, gestão de riscos, indicadores e autoavaliação. Instituições que já operam com ISO 9001 ou com um sistema de gestão da qualidade que centraliza evidências tendem a reduzir esse prazo.
Quais são os requisitos e evidências exigidos na Acreditação ONA?
O Manual OPSS 2026 não traz uma lista fechada de “documentos obrigatórios” como uma norma ISO, mas os requisitos só se comprovam com evidência. Os itens que avaliadores mais cobram na prática:
- Planejamento estratégico, política de qualidade e segurança e estrutura de governança definidos
- Mapeamento de processos e da jornada do paciente, com interfaces entre áreas
- Gestão de riscos assistenciais e não assistenciais, com barreiras e planos de ação
- Protocolos de segurança do paciente implantados (identificação, cirurgia segura, prevenção de quedas e lesões, medicamentos, higiene das mãos, comunicação efetiva)
- Notificação e análise de incidentes e eventos adversos, com análise de causa raiz
- Controle de documentos: protocolos, POPs e manuais vigentes, aprovados e acessíveis a quem executa
- Indicadores de processo e de resultado, com análise crítica periódica
- Registros de qualificação, capacitação e educação permanente das equipes
- Gestão de fornecedores e serviços terceirizados críticos
- Gestão de equipamentos e tecnologias em saúde, com manutenção e calibração em dia
- Evidências de ESG: ações de impacto social, equidade em saúde e gestão ambiental (novidade do manual 2026)
O erro mais comum não é a falta de documento, é o protocolo existir, mas não ser seguido à beira do leito. Avaliadores da ONA rastreiam o paciente: escolhem um caso real e conferem, no prontuário e com a equipe, se o que está escrito foi feito. Com a lógica de jornada do paciente do manual 2026, esse cruzamento entre documento e prática fica ainda mais central.
Como se preparar para a visita de avaliação da Acreditação ONA
Um caminho estruturado reduz não conformidades no dia da visita:
- Diagnóstico de maturidade contra os requisitos do Manual OPSS 2026, por seção e por nível.
- Definição do nível pretendido e do modelo de acreditação (organização, rede assistencial ou rede corporativa).
- Mapeamento da jornada do paciente e dos processos de cada área, com riscos e interfaces.
- Implantação dos protocolos de segurança, do controle de documentos e da gestão de riscos.
- Estruturação de indicadores e da notificação e análise de eventos adversos.
- Capacitação das equipes assistenciais e de apoio nos processos e no próprio manual.
- Autoavaliação (auditoria interna), com correção das não conformidades encontradas.
- Contratação da IAC e visita de avaliação para certificação, opcionalmente precedida de um diagnóstico organizacional pela própria IAC.
Quanto mais cedo a evidência é gerada como rotina assistencial, e não reunida às pressas antes da visita, menor o risco de não conformidade e menor o desgaste das equipes no processo.
O que o avaliador verifica na visita de Acreditação ONA
Antes de organizar a preparação, vale saber exatamente o que está sendo checado. O avaliador da IAC confere se os requisitos saem do papel e viram prática na assistência, em todas as áreas da instituição.
| Área do manual | O que o avaliador verifica | Evidência típica esperada | Como o Qualiex ajuda |
|---|---|---|---|
| Gestão Organizacional (Seção 1) | Se governança, planejamento estratégico e metas de qualidade e segurança são desdobrados até as áreas | Planejamento estratégico, atas de reuniões de governança, painel de metas | Indicadores estratégicos ligados aos de processo e atas de decisão com responsável e prazo |
| ESG e impacto social e ambiental (Seção 1) | Se a instituição tem ações estruturadas de equidade, impacto social e gestão ambiental | Plano de ações ESG, indicadores ambientais e sociais | Planos de ação e indicadores ESG acompanhados no mesmo sistema da qualidade |
| Jornada do paciente (Seção 2) | Se cada fase da jornada tem processo definido, riscos mapeados e continuidade do cuidado | Mapa da jornada, protocolos, registros em prontuário | Controle de documentos com versão, aprovação e leitura pelas equipes, sem protocolo desatualizado em circulação |
| Segurança do paciente | Se incidentes e eventos adversos são notificados, analisados e geram ação | Notificações, análises de causa raiz, planos de ação | Fluxo de ocorrências com análise de causa e plano de ação com prazo e responsável monitorados |
| Gestão de riscos | Se riscos assistenciais e não assistenciais são avaliados e têm barreiras implantadas | Matriz de riscos, barreiras, reavaliações | Módulo de riscos com avaliação, tratamento e histórico de revisões |
| Diagnóstico e Terapêutica (Seção 3) | Se laboratório, imagem e hemoterapia têm controle de qualidade e rastreabilidade | Controles de qualidade, laudos, registros de rastreabilidade | Indicadores e não conformidades por serviço, com tratamento rastreável |
| Gestão do Apoio (Seção 4) | Se equipamentos, suprimentos, fornecedores e tecnologia são geridos com critério | Plano de manutenção e calibração, avaliação de fornecedores | Matriz de calibração com alerta de vencimento e avaliação de fornecedores com histórico |
| Ciclos de melhoria (Nível 3) | Se as melhorias têm eficácia comprovada e resultados sustentados ao longo do tempo | Séries históricas de indicadores, ciclos PDCA concluídos | Histórico de indicadores e de planos de ação com verificação de eficácia registrada |
Checklist de preparação para a visita de Acreditação ONA
Separamos as 8 etapas de preparação em blocos individuais. Copie cada uma para a ferramenta de gestão de tarefas da sua equipe e use como checklist de acompanhamento até a data da visita.
Passo 1. Diagnóstico de maturidade Antes de implantar qualquer coisa, é preciso saber onde a instituição está em relação ao Manual OPSS 2026, sem isso o esforço se dispersa em pontos que já estão resolvidos.
- Revisar os requisitos do manual seção por seção
- Identificar o que já existe, o que existe parcialmente e o que não existe
- Avaliar quais requisitos de Nível 2 e Nível 3 já são atendidos
- Priorizar as lacunas por risco ao paciente e prazo até a visita
Passo 2. Definição de nível, modelo e escopo Esses elementos formam a base da preparação: definem até onde a instituição quer chegar e o que será avaliado.
- Definir o nível pretendido para o primeiro ciclo
- Escolher o modelo: organização, rede assistencial ou rede corporativa
- Listar todos os serviços, inclusive os terceirizados, que entram na avaliação
- Comunicar o projeto de acreditação a todas as lideranças e equipes
Passo 3. Mapeamento da jornada do paciente e dos processos O manual 2026 avalia a instituição pelo caminho do paciente, então esse mapa é o eixo de toda a preparação.
- Mapear as 6 fases da jornada, da conscientização à continuidade do cuidado
- Identificar interfaces entre áreas e pontos de transferência do cuidado
- Mapear riscos assistenciais e não assistenciais em cada etapa
- Definir donos de processo para cada fase
Passo 4. Implantação de protocolos, documentos e riscos É aqui que a acreditação sai do papel: os processos mapeados viram prática padronizada.
- Implantar os protocolos de segurança do paciente
- Revisar, aprovar e publicar protocolos, POPs e manuais em um controle de documentos
- Implantar barreiras para os riscos priorizados
- Estruturar a gestão de equipamentos, fornecedores e serviços terceirizados
Passo 5. Indicadores e notificação de eventos Sem dados, não há como demonstrar gestão integrada (Nível 2) nem ciclos de melhoria (Nível 3).
- Definir indicadores de processo e de resultado por área
- Implantar a notificação de incidentes e eventos adversos
- Garantir que cada evento relevante gere análise de causa raiz e plano de ação
- Estabelecer a rotina de análise crítica dos indicadores
Passo 6. Capacitação das equipes O avaliador conversa com quem executa, e a equipe precisa saber explicar o que faz e por quê.
- Treinar as equipes nos protocolos e processos da sua área
- Apresentar a lógica do Manual OPSS 2026 às lideranças
- Registrar capacitações e avaliar a eficácia dos treinamentos
- Simular entrevistas e rastreamento de pacientes
Passo 7. Autoavaliação Antes de receber a IAC, a instituição avalia a si mesma, é a última chance de corrigir problemas sem que virem não conformidade formal.
- Elaborar o programa de auditorias internas por seção do manual
- Executar a autoavaliação com rastreamento de casos reais
- Registrar todos os achados
- Abrir plano de ação para cada não conformidade encontrada
Passo 8. Visita de avaliação pela IAC A etapa final: avaliadores da IAC verificam, em documentos, prontuários e na prática, se tudo o que foi implantado funciona como declarado.
- Escolher a IAC e confirmar o escopo, o nível e o manual que será aplicado
- Considerar um diagnóstico organizacional prévio pela IAC
- Organizar evidências por seção e por fase da jornada do paciente
- Definir responsáveis para acompanhar os avaliadores durante a visita
Como manter a Acreditação ONA (visitas de manutenção e reacreditação)
O certificado ONA tem validade de dois anos nos Níveis 1 e 2 e de três anos no Nível 3, mas não fica “parado” nesse período: a IAC realiza visitas de manutenção durante a vigência para confirmar que os padrões continuam sendo cumpridos. Ao final do ciclo, a reacreditação repete a avaliação completa, e é também o momento em que a instituição pode pleitear um nível acima.
Uma visita de manutenção com resultado insatisfatório pode levar à perda do nível ou da própria acreditação. O maior risco nessa fase raramente é técnico, é operacional: perder o controle de quando um protocolo precisa ser revisado, de quais planos de ação de eventos adversos ainda estão abertos, de quando um equipamento precisa de nova calibração ou de quais treinamentos venceram, sobretudo quando esses controles vivem espalhados em planilhas, e-mails e pastas compartilhadas.
Erros comuns na Acreditação ONA
Os mesmos erros aparecem, com poucas variações, em visitas de certificação, manutenção e reacreditação:
| Principais erros | Causa raiz | Como o Qualiex resolve |
|---|---|---|
| Protocolo escrito que não é seguido à beira do leito, identificado no rastreamento do paciente | Documento elaborado para a visita, sem implantação e treinamento reais | Controle de documentos com confirmação de leitura e vínculo a treinamentos, evidência de que a equipe conhece a versão vigente |
| Versões diferentes do mesmo protocolo circulando entre setores | Documentos impressos e pastas locais sem controle de versão | Versão única publicada, com revisão, aprovação e obsoletos recolhidos automaticamente |
| Eventos adversos notificados, mas sem análise nem ação concluída | Notificação tratada como fim do processo, não como início | Fluxo de ocorrências que só fecha com análise de causa e plano de ação concluído |
| Indicadores coletados, mas nunca analisados nem ligados a decisões | Indicador visto como exigência de visita, não como ferramenta de gestão | Painel de indicadores, atas de análise crítica, com histórico para demonstrar ciclos de melhoria |
| Tentar o Nível 3 sem séries históricas que comprovem resultados sustentados | Ciclos de melhoria iniciados pouco antes da visita | Histórico de indicadores e planos de ação com verificação de eficácia registrada ao longo do ciclo |
| Preparar-se para o manual 2026 com a lógica setorial do manual 2022 | Desconhecimento da nova estrutura transversal pela jornada do paciente | Riscos, documentos e indicadores organizados por processo, facilitando a leitura transversal exigida |
Como um software para gestão da qualidade ajuda a manter a Acreditação ONA
É exatamente no ponto de sustentar a conformidade entre uma visita e outra, com protocolos, riscos, eventos adversos e indicadores de dezenas de setores rodando ao mesmo tempo, que a maioria das equipes de qualidade em saúde perde tempo e corre risco. Planilhas dispersas, protocolos desatualizados e planos de ação sem dono claro são a causa mais comum de não conformidade em visitas de manutenção e reacreditação.
O Qualiex, Software para Gestão da Qualidade, centraliza controle de documentos, ocorrências e eventos adversos, gestão de riscos, planos de ação, auditorias internas, indicadores, atas de decisão, gestão de fornecedores e calibração de equipamentos em um único sistema, com trilha de evidências pronta para quando o avaliador pedir.
Sem “garimpo” de última hora. Para quem está diante da transição para o Manual OPSS 2026, isso também facilita mapear, em um só lugar, quais controles atuais já atendem à nova estrutura e quais precisam de ajuste.
Se sua instituição está avaliando a maturidade da gestão da qualidade para a próxima visita, de certificação, manutenção ou reacreditação, o Qualiex é a solução definitiva para você.
Perguntas frequentes sobre a Acreditação ONA
A Acreditação ONA é obrigatória por lei?
Não. A acreditação é voluntária, e nenhuma lei exige que uma instituição de saúde seja acreditada. Na prática, porém, ela pesa cada vez mais em credenciamento e negociação com operadoras de planos de saúde e em contratos com o poder público, o que faz muitas instituições a tratarem como requisito comercial.
A Acreditação ONA é uma certificação ISO?
Não. A ONA não é uma norma ISO nem certifica um sistema de gestão genérico. É uma metodologia brasileira de acreditação, exclusiva para serviços de saúde, baseada no Manual Brasileiro de Acreditação e reconhecida pela ISQua. Uma instituição pode ter ISO 9001 e ONA ao mesmo tempo, e a base de gestão da ISO costuma acelerar a preparação para a ONA.
Quem faz a avaliação: a ONA ou outra empresa?
A avaliação é feita por uma Instituição Acreditadora Credenciada (IAC), empresa autorizada pela ONA a conduzir as visitas e emitir o parecer. A instituição de saúde escolhe e contrata a IAC. A lista de IACs credenciadas está disponível no site da ONA.
Minha instituição acreditada pelo manual 2022 perde o certificado com o Manual OPSS 2026?
Não. O certificado em vigor continua válido até o fim do seu prazo. A mudança aparece nas próximas visitas, que passam a seguir o manual 2026 conforme as regras de transição das Normas Orientadoras. Confirme com sua IAC qual manual será aplicado na sua próxima visita de manutenção ou reacreditação.
Dá para começar direto no Nível 2 ou no Nível 3?
Os níveis são cumulativos: para ser Acreditado Pleno, a instituição precisa atender aos requisitos do Nível 1 e do Nível 2; para Acreditado com Excelência, aos três. Uma instituição madura pode pleitear um nível mais alto já na primeira avaliação, mas o Nível 3 exige resultados sustentados ao longo do tempo, o que costuma pedir histórico de indicadores e ciclos de melhoria já concluídos.
Quanto tempo dura a visita de avaliação?
Varia com o porte da instituição, o número de serviços e o nível pretendido. A IAC define a duração e o número de avaliadores conforme as Normas de Avaliação. Durante a visita, os avaliadores percorrem as áreas, analisam documentos e prontuários e entrevistam equipes e lideranças.
O que acontece se minha instituição não atingir o nível pretendido?
Não existe reprovação definitiva. A instituição pode ser acreditada em um nível abaixo do pretendido, se atender aos requisitos daquele nível, ou não ser acreditada naquele ciclo. Em ambos os casos, recebe o relatório com os pontos a corrigir e pode se preparar para uma nova avaliação.
