Se você chegou até aqui, provavelmente está em uma de duas situações: sua empresa foi cobrada por uma montadora ou por um cliente Tier 1 a se certificar na IATF 16949, ou já é certificada e precisa manter o certificado sem sustos na próxima auditoria de vigilância ou recertificação.
Em qualquer um dos dois casos, este guia reúne o que você precisa saber agora: da definição básica à diferença para a ISO 9001, passando por custo, prazo, requisitos, core tools, preparação de auditoria e como sustentar a conformidade no dia a dia, sem depender de mutirão de última hora.
O que é a IATF 16949?
A IATF 16949 é a norma internacional de gestão da qualidade voltada especificamente para a cadeia de fornecimento automotiva, desenvolvida e publicada pela International Automotive Task Force (IATF), grupo formado por montadoras como Ford, General Motors, Stellantis (antiga PSA/FCA) e pelas associações automotivas de Alemanha, França, Itália e Reino Unido, entre outros membros.
Ela substituiu a antiga ISO/TS 16949 em outubro de 2016 e não é um substituto da ISO 9001, é uma extensão dela: para se certificar na IATF 16949, a empresa precisa atender simultaneamente a todos os requisitos da ISO 9001:2015 e aos requisitos automotivos adicionais definidos pela IATF.
A diferença mais prática em relação à ISO 9001 está em três pontos: a certificação só pode ser emitida por organismos certificadores reconhecidos pela IATF (não vale qualquer organismo acreditado, como na ISO 9001), a certificação é específica por planta (site-specific: só pode ser concedida ao local onde efetivamente ocorre um processo de fabricação que agrega valor, como usinagem, solda, tratamento térmico ou pintura) e a norma exige o uso obrigatório das chamadas core tools do setor automotivo: APQP, PPAP, FMEA, MSA e CEP.
Costumam buscar a certificação: fornecedores Tier 1, Tier 2 e Tier 3 de montadoras, fabricantes de componentes e peças de reposição automotivas, e empresas de tratamento térmico, pintura, estamparia ou montagem que atendem à cadeia automotiva.
Para a maioria dos fornecedores diretos de montadoras membras da IATF, a certificação deixou de ser um diferencial e passou a ser pré-requisito contratual: sem ela, a homologação como fornecedor de série normalmente não acontece. Continue a leitura para entender mais sobre a norma IATF 16949!
IATF 16949: o que já mudou e o que ainda está por vir
Diferente da ISO 9001, que teve sua nova versão (ISO 9001:2026) oficialmente publicada em 16 de setembro de 2026, a IATF 16949 ainda não passou por uma revisão do texto da norma em si. O que já está em vigor, e o que ainda é apenas expectativa do setor, são coisas distintas, e vale não confundir as duas:
Já está em vigor: a 6ª edição das IATF Rules (Rules for achieving and maintaining IATF 16949 Certification), publicada em 31 de março de 2024 e obrigatória desde 1º de janeiro de 2025. Ela não alterou os requisitos técnicos da norma IATF 16949:2016, mas mudou regras de auditoria, entre elas: redefinição de Extended Manufacturing Site (EMS), que agora precisa estar a no máximo 16 km e 60 minutos do site principal (planta) para ser tratado como extensão dele, em vez de precisar de certificação própria; limite de 10 horas de auditoria por auditor por dia; e ajustes na forma como não conformidades e elegibilidade são tratadas.
Ainda não está confirmado, apenas esperado pelo setor: uma revisão do próprio texto da norma IATF 16949, com publicação estimada para o fim de 2026 ou início de 2027, sujeita a confirmação da IATF. A expectativa do mercado é que essa revisão se alinhe à estrutura da ISO 9001:2026 e reforce temas como controles de software embarcado, gestão de risco na cadeia de fornecedores e resiliência da cadeia de suprimentos, refletindo a ascensão de veículos conectados e definidos por software desde 2016. Até a publicação oficial e a abertura de um período de transição pela IATF, a versão vigente e exigível continua sendo a IATF 16949:2016.
Na prática, se sua empresa está se certificando ou recertificando agora, o que importa é a 6ª edição das Rules, já obrigatória. A revisão da norma em si é um tema para acompanhar, não para agir ainda, mas vale já mapear onde seu SGQA tem lacunas em software e risco de fornecedores, temas que devem ganhar peso na próxima versão.
IATF 16949 x ISO 9001: qual a diferença?
| Aspecto | ISO 9001 | IATF 16949 |
|---|---|---|
| Aplicação | Qualquer setor ou porte de empresa | Específica para a cadeia de fornecimento automotiva |
| Relação entre as normas | Norma-base, autônoma | Extensão da ISO 9001: exige conformidade com as duas ao mesmo tempo |
| Organismo certificador | Qualquer organismo acreditado | Apenas organismos reconhecidos pela IATF (lista pública no IATF Global Oversight) |
| Escopo da certificação | Pode cobrir a organização como um todo | Certificação vinculada à planta onde há fabricação que agrega valor |
| Ferramentas exigidas | Não especifica metodologias | Uso obrigatório das core tools: APQP, PPAP, FMEA, MSA e SPC |
| Requisitos do cliente | Não previstos formalmente | Customer-Specific Requirements (CSRs) de cada montadora são parte obrigatória do SGQA |
| Autodeclaração | Permitida em alguns países | Não permitida, a certificação é sempre por auditoria de terceira parte |
Quais são os benefícios da IATF 16949 para a empresa?
Além de viabilizar contratos com montadoras, a certificação resolve problemas concretos de gestão na cadeia automotiva:
Torna-se pré-requisito comercial, não diferencial: a maioria das montadoras da IATF só homologa fornecedores de série com o certificado válido e reconhecido pela IATF.
Reduz auditorias de segunda parte: clientes OEM (Fabricante de Equipamento Original) e fornecedores Tier 1 tendem a reduzir a frequência e o escopo de suas próprias auditorias de fornecedor quando o já é certificado, o que libera tempo da equipe de qualidade.
Padroniza a avaliação em cadeias globais: uma fábrica no México, na Alemanha ou na China é avaliada pelos mesmos critérios, o que simplifica sourcing global e reduz o risco de retrabalho por divergência de requisitos entre países.
Estrutura o uso de core tools: empresas que dominam APQP, PPAP, FMEA, MSA e SPC tomam decisões melhores no desenvolvimento de produto, identificam riscos de processo mais cedo e entregam qualidade mais estável, mesmo fora do contexto da auditoria.
Institucionaliza a melhoria contínua: a norma exige metas de qualidade mensuráveis, análise de tendências e projetos de melhoria contínua (CIP) formais, em vez de esforços pontuais ligados a uma pessoa específica.
Quanto custa e quanto tempo leva para certificar a IATF 16949?
Não existe um valor fixo de mercado, e a certificação tende a ser mais longa e mais cara do que a de ISO 9001 isolada, por exigir conformidade simultânea com a norma-base e com os requisitos automotivos. O investimento varia conforme uma combinação de fatores:
| Fator | Impacto no custo/prazo |
|---|---|
| Porte da planta e volume de produção | Mais linhas, turnos e processos = mais dias de auditoria |
| Maturidade do SGQ atual (já é ISO 9001?) | Empresas já certificadas em ISO 9001 partem na frente, mas ainda precisam implementar as camadas automotivas |
| Domínio prévio das core tools | Equipes que já usam APQP, PPAP, FMEA, MSA e SPC certificam mais rápido |
| Organismo certificador reconhecido pela IATF | Taxas variam, e a lista de organismos elegíveis é menor do que a de ISO 9001 |
| Customer-Specific Requirements (CSRs) | Cada montadora-cliente pode adicionar exigências próprias, o que amplia o escopo de implementação |
| Número de Extended Manufacturing Sites (EMS) | Sites (Planta) de suporte fora do raio de 16 km / 60 min do site principal exigem certificação própria |
Como referência geral, empresas que partem do zero, sem uma ISO 9001 prévia, costumam levar entre 12 e 18 meses da decisão até a auditoria de certificação, considerando diagnóstico, implementação das core tools, auditoria interna e as duas etapas da auditoria externa (Estágio 1 e Estágio 2). Empresas que já operam com ISO 9001 madura tendem a reduzir esse prazo para 6 a 12 meses, já que a base do sistema de gestão já existe.
Quais são os requisitos e documentos obrigatórios da IATF 16949?
Além de toda a informação documentada exigida pela ISO 9001 (escopo, política e objetivos da qualidade, avaliação de fornecedores, competência, calibração, auditorias internas, não conformidades, análise crítica), a IATF 16949 soma exigências próprias do setor automotivo.
. Os itens que auditores da certificação IATF 16949 mais cobram na prática:
- Plano de controle (Control Plan) por produto ou família de produtos
- Registros de APQP (Advanced Product Quality Planning) para novos projetos
- PPAP (Production Part Approval Process) aprovado pelo cliente antes do início da produção seriada
- FMEA de projeto e de processo, revisados e atualizados
- Estudos de MSA (Análise dos Sistemas de Medição) para os instrumentos críticos
- Cartas de controle e evidência de capacidade de processo (SPC)
- Plano de contingência para interrupção de fornecimento ao cliente
- Registros de atendimento aos Customer-Specific Requirements (CSRs) de cada montadora-cliente
- Sistema de rastreabilidade completo de lote, do fornecedor até a expedição
- Registros de contenção e resposta rápida em caso de não conformidade que impacte o cliente
O erro mais comum não é a falta de documento, é o PPAP aprovado que não reflete o processo real de produção, ou o Control Plan que não é seguido na linha. Auditores da IATF identificam essa divergência rapidamente, porque cruzam o documento aprovado com a observação direta do processo, e a não conformidade classificada como maior nesse ponto pode travar a emissão do certificado.
Como se preparar para a auditoria de certificação IATF 16949
Um caminho estruturado reduz não conformidades no dia da auditoria:
- Diagnóstico de maturidade contra os requisitos da ISO 9001 e da IATF 16949 combinados.
- Definição de escopo do SGQA por planta, respeitando o critério site-specific.
- Implementação e domínio das core tools (APQP, PPAP, FMEA, MSA, SPC) na rotina de produção.
- Mapeamento dos Customer-Specific Requirements (CSRs) de cada cliente automotivo.
- Treinamento da equipe nos processos do SGQA e nas core tools exigidas.
- Auditoria interna, com correção das não conformidades encontradas antes da visita externa.
- Análise crítica pela direção, revisando indicadores, scorecards de cliente e riscos.
- Auditoria externa por organismo reconhecido pela IATF, em duas etapas: Estágio 1 (revisão documental) e Estágio 2 (verificação da implementação na prática).
Quanto mais cedo a evidência das core tools é gerada como rotina de produção, e não reunida às pressas antes da visita do auditor, menor o risco de não conformidade maior, categoria que pode suspender a emissão do certificado até a correção ser verificada.
O que o auditor avalia na auditoria de certificação IATF 16949
Antes de organizar a preparação, vale saber exatamente o que está sendo checado. Além de tudo o que já é avaliado numa auditoria de ISO 9001, o auditor da IATF confere se as core tools e os requisitos automotivos saem do papel e viram prática de chão de fábrica.
| Área da norma | O que o auditor avalia | Evidência típica esperada | Como o Qualiex ajuda |
|---|---|---|---|
| Planejamento de novos produtos (8.3, APQP) | Se o desenvolvimento de novos produtos segue as fases do APQP, com aprovação formal em cada gate | Cronograma de APQP, atas de revisão de projeto, plano de controle | Fluxo de projetos com fases e aprovações registradas, sem depender de planilha paralela para saber em qual gate cada produto está |
| Aprovação de peça de produção (8.3.4.4, PPAP) | Se toda peça em produção seriada tem PPAP aprovado pelo cliente antes do embarque | Dossiê de PPAP, aprovação do cliente, nível exigido por peça | Registro central de PPAP por peça e por cliente, com status de aprovação visível e histórico de revisões |
| Análise de risco de projeto e processo (FMEA) | Se os FMEAs são vivos, revisados a cada mudança relevante de projeto ou processo | FMEA de projeto e de processo atualizados, ações derivadas implementadas | Módulo de riscos vinculado ao FMEA, com plano de ação e responsável para cada risco identificado |
| Sistemas de medição (MSA) | Se os instrumentos críticos têm estudo de MSA válido, não só calibração em dia | Estudos de R&R, plano de MSA por instrumento crítico | Matriz de calibração com alerta de vencimento também para reestudo de MSA, não só para a calibração básica |
| Controle estatístico de processo (CEP/SPC) | Se processos-chave são monitorados com cartas de controle e capacidade (Cp/Cpk) dentro do critério do cliente | Cartas de controle, relatórios de capacidade de processo | Painel de indicadores conectado aos dados de processo, com histórico disponível para a análise crítica |
| Requisitos específicos do cliente (CSRs) | Se os requisitos particulares de cada montadora-cliente estão mapeados e implementados | Matriz de CSRs por cliente, evidência de atendimento | Controle de documentos com dono, versão e data de revisão, útil para manter os registros de requisitos de cada cliente atualizados e rastreáveis |
| Scorecards e desempenho junto ao cliente (9.3.2.1) | Se os scorecards de desempenho enviados pelas montadoras são analisados na análise crítica pela direção | Scorecards recebidos, ata de análise crítica com discussão do resultado | Atas de análise crítica vinculadas aos indicadores e aos scorecards recebidos, histórico completo de decisões |
| Contenção e resposta a não conformidade que afeta o cliente | Se existe processo formal de contenção rápida (ex.: embarque controlado) quando um problema chega ao cliente | Plano de contenção, registro de ação imediata, comunicação ao cliente | Fluxo de NC com etapa de contenção obrigatória antes da causa raiz, prazo de cada etapa monitorado |
Checklist de preparação para a auditoria de certificação IATF 16949
Separamos as 8 etapas de preparação em blocos individuais. Copie cada uma para a ferramenta de gestão de tarefas da sua equipe, e use como checklist de acompanhamento até a data da auditoria.
Passo 1. Diagnóstico de maturidade
Antes de implementar qualquer coisa, é preciso saber exatamente onde a planta está em relação à ISO 9001 e aos requisitos automotivos combinados, sem isso, o esforço se dispersa em pontos que já estão resolvidos.
- Revisar os requisitos da ISO 9001 e da IATF 16949 cláusula por cláusula
- Identificar o que já existe, o que existe parcialmente e o que não existe
- Avaliar o nível de maturidade das core tools (APQP, PPAP, FMEA, MSA, SPC)
- Priorizar os gaps por criticidade e prazo até a auditoria
Passo 2. Definição de escopo e elegibilidade
Esses elementos formam a base declarada do SGQA: definem qual planta será certificada e se ela atende ao critério site-specific da norma.
- Confirmar que a planta realiza processo de fabricação que agrega valor no local
- Mapear Extended Manufacturing Sites (EMS) e verificar o raio de 16 km / 60 min
- Definir por escrito o escopo do SGQA para o site
- Comunicar escopo e política da qualidade a toda a equipe
Passo 3. Implementação das core tools no desenvolvimento de produto
Com o escopo definido, o próximo passo é estruturar como novos produtos entram em produção, usando as ferramentas que a norma exige, não uma versão simplificada delas.
- Estruturar o processo de APQP para novos projetos, com gates formais
- Elaborar FMEA de projeto e de processo para cada produto crítico
- Definir e documentar o Control Plan de cada produto ou família
- Preparar a documentação de PPAP conforme o nível exigido pelo cliente
Passo 4. Controle de processo e sistemas de medição
É aqui que o SGQA sai do papel: os planos de controle viram monitoramento real da produção, com instrumentos e métodos comprovadamente confiáveis.
- Executar estudos de MSA nos instrumentos e sistemas de medição críticos
- Implementar cartas de controle e cálculo de capacidade (Cp/Cpk) nos processos-chave
- Garantir que cada não conformidade de processo dispare ação corretiva registrada
- Disponibilizar os dados de processo a quem toma decisão no dia a dia
Passo 5. Mapeamento dos Customer-Specific Requirements (CSRs)
De nada adianta atender à norma genérica se a empresa ignora as exigências particulares de cada montadora-cliente, que fazem parte obrigatória do SGQA.
- Levantar os CSRs de cada cliente automotivo atendido pela planta
- Criar uma matriz de atendimento por requisito e por cliente
- Revisar a matriz sempre que um cliente publicar atualização de CSR
- Treinar a equipe comercial e de qualidade nos CSRs relevantes para sua função
Passo 6. Auditoria interna
Antes de receber o auditor externo, a planta audita a si mesma, é a última chance de encontrar e corrigir problemas sem que isso vire uma não conformidade formal, especialmente nas core tools.
- Elaborar o programa de auditoria interna, cobrindo processo e produto
- Executar a auditoria com um auditor interno qualificado em IATF 16949
- Registrar todos os achados, inclusive nas core tools
- Abrir plano de ação para cada não conformidade encontrada
Passo 7. Análise crítica pela direção
A norma exige que a liderança revise formalmente o desempenho do SGQA, incluindo o desempenho junto ao cliente, não como formalidade burocrática, mas como decisão real sobre o que muda a partir dali.
- Reunir scorecards de desempenho recebidos das montadoras-clientes
- Revisar resultados de auditorias internas e não conformidades abertas
- Avaliar o desempenho das core tools e dos indicadores de processo
- Registrar decisões e ações em ata formal
Passo 8. Auditoria externa por organismo reconhecido pela IATF (Estágio 1 e Estágio 2)
A etapa final: um organismo certificador reconhecido pela IATF verifica, primeiro em documentos e depois na prática, se tudo o que foi implementado realmente funciona como declarado.
- Confirmar que o organismo escolhido é reconhecido pela IATF para o escopo da planta
- Reunir e organizar toda a documentação das core tools para o Estágio 1
- Preparar a equipe de chão de fábrica para entrevistas e verificação prática no Estágio 2
- Definir um responsável para acompanhar o auditor durante toda a visita
Como manter a certificação IATF 16949 (auditorias de manutenção e recertificação)
A certificação IATF 16949 tem validade de três anos, mas não fica “parada” nesse período: o organismo certificador realiza auditorias de vigilância, geralmente anuais, para confirmar que o SGQA continua ativo e que as core tools seguem em uso real. Ao final do ciclo, a recertificação repete em versão mais ampla o processo de certificação inicial.
Não conformidades maiores não tratadas dentro do prazo definido pelo organismo podem levar à suspensão do certificado, e a IATF trata isso com menos margem do que a ISO 9001: um certificado suspenso ou cancelado é publicado no IATF Global Oversight, visível para qualquer cliente que consulte a validade do certificado antes de homologar ou manter um fornecedor.
O maior risco nessa fase raramente é técnico, é operacional: perder o controle de quando um FMEA precisa ser revisado, quando um PPAP precisa ser reaprovado após mudança de processo, ou quando um CSR de cliente foi atualizado, sobretudo quando esses controles vivem espalhados em planilhas, e-mails e pastas compartilhadas.
Erros comuns na certificação IATF 16949
Os mesmos erros aparecem, com poucas variações, em auditorias de certificação, vigilância e recertificação:
| Principais erros | Causa raiz | Como o Qualiex resolve |
|---|---|---|
| PPAP aprovado que não reflete o processo real de produção, identificado rapidamente por qualquer auditor experiente | Mudança de processo não formalizada nem revalidada com o cliente | Registro de PPAP vinculado às revisões de processo, mudança sem revalidação fica visível, não escondida |
| Tratar não conformidade que chegou ao cliente como “resolvida” sem contenção formal nem investigação de causa raiz | Correção pontual no lugar de contenção e análise de causa raiz | Fluxo de NC com etapa obrigatória de contenção e causa raiz, não fecha sem isso preenchido |
| Deixar FMEA e Control Plan desatualizados em relação ao processo real de chão de fábrica | Revisão do FMEA tratada como evento único, não como rotina após mudança | Módulo de riscos vinculado ao FMEA, fácil de revisar sempre que um processo muda |
| Tratar o scorecard recebido da montadora como um arquivo avulso, sem conectá-lo aos indicadores internos de processo | Scorecard arquivado, mas não discutido junto ao desempenho real da planta | Painel de indicadores conectado às atas de análise crítica, com histórico disponível para comparar com os scorecards recebidos ao longo do tempo |
| Certificar um Extended Manufacturing Site fora do raio permitido pelas Rules 6ª edição sem ajustar a estratégia de certificação | Desconhecimento da nova definição de EMS (16 km / 60 min) | Painel de indicadores por site, ajudando a mapear a estrutura de plantas antes de definir a estratégia de certificação |
| Conduzir a auditoria interna sem cobrir as core tools, focando só nos requisitos genéricos da ISO 9001 | Programa de auditoria interna copiado de um modelo de ISO 9001 puro | Programa de auditoria interna configurável, cobrindo tanto os requisitos gerais quanto as core tools automotivas |
Como um software para gestão da qualidade ajuda a manter a conformidade com a IATF 16949
É exatamente no ponto de sustentar a conformidade IATF 16949 entre uma auditoria e outra, com PPAPs, FMEAs e Plano de controle de múltiplos clientes automotivos rodando ao mesmo tempo, que a maioria das equipes de qualidade perde tempo e corre risco. Planilhas dispersas, revisões de FMEA feitas fora de hora e ações corretivas sem dono claro são a causa mais comum de não conformidade em auditorias de vigilância e recertificação.
O Qualiex, Software para Gestão da Qualidade Automotiva, centraliza controle de documentos, não conformidades, riscos e FMEA, ações corretivas, planos de controle, atas de decisão, auditorias internas, indicadores de processo, gestão de fornecedores e calibração de instrumentos em um único sistema, com trilha de evidências pronta para quando o auditor pedir.
Sem “garimpo” de última hora. Para quem acompanha a expectativa de revisão da IATF 16949 alinhada à ISO 9001:2026, isso também facilita mapear, em um só lugar, quais controles do SGQA atual já cobrem os temas esperados (software e risco de fornecedores) e quais precisam de atenção.
Se sua empresa está avaliando a maturidade do seu SGQA para a próxima auditoria, de certificação, vigilância ou recertificação, o Qualiex é a solução definitiva para você.
Perguntas frequentes sobre a IATF 16949
A certificação IATF 16949 é obrigatória por lei?
Não. Assim como a ISO 9001, a IATF 16949 é uma norma voluntária, não uma exigência legal de nenhum país. Na prática, porém, ela funciona como uma exigência contratual: a maioria das montadoras membras da IATF só homologa fornecedores de série que apresentem o certificado válido, então, para quem quer vender para essas montadoras, a certificação deixa de ser opcional.
A IATF 16949 substitui a ISO 9001, ou preciso das duas?
Precisa das duas. A IATF 16949 não é uma norma autônoma, é uma extensão da ISO 9001: ela soma requisitos automotivos específicos (core tools, Control Plan, PPAP, requisitos de cliente) aos requisitos já exigidos pela ISO 9001:2015. Não existe certificação em IATF 16949 sem que a empresa também atenda integralmente à ISO 9001. Na prática, a auditoria de certificação cobre as duas normas ao mesmo tempo.
Qualquer organismo certificador pode emitir o certificado IATF 16949?
Não. Diferente da ISO 9001, em que qualquer organismo acreditado pode certificar, a IATF 16949 só pode ser certificada por organismos certificadores especificamente reconhecidos pela IATF, com o número e o logotipo da IATF impressos no certificado. Antes de contratar, vale confirmar essa condição diretamente no site do IATF Global Oversight: um certificado emitido por um organismo não reconhecido não é aceito pelas montadoras.
Minha empresa certificada na IATF 16949:2016 vai perder o certificado quando a norma for revisada?
Não, pelo menos não de forma abrupta. Quando uma norma ISO ou IATF é revisada, o certificado emitido na versão anterior continua válido durante um período de transição definido no momento da publicação da nova versão, como já aconteceu em revisões anteriores do setor. Como a revisão da IATF 16949 ainda não foi publicada nem confirmada oficialmente, não há hoje um prazo de transição definido, isso só será anunciado quando a nova versão sair. Até lá, a IATF 16949:2016 continua sendo a versão vigente e exigível.
Preciso já ter a ISO 9001 antes de buscar a IATF 16949?
Não é pré-requisito ter um certificado de ISO 9001 separado antes de começar, mas é preciso implementar e demonstrar conformidade com os requisitos da ISO 9001:2015 junto com os requisitos automotivos, já que as duas são avaliadas na mesma auditoria de certificação IATF 16949. Na prática, empresas que já têm uma ISO 9001 madura chegam com vantagem: a base do sistema de gestão já existe, e o esforço se concentra nas camadas automotivas adicionais (core tools, Control Plan, requisitos de cliente), o que costuma reduzir o prazo total de implementação.
Quanto tempo dura a auditoria de certificação?
Varia principalmente com o porte da planta, o número de processos e linhas de produção, e a quantidade de produtos e clientes cobertos pelo escopo. Como referência, a auditoria externa de certificação acontece em duas etapas: o Estágio 1, mais curto, focado na revisão documental, e o Estágio 2, mais longo, que verifica a implementação na prática, incluindo observação direta do chão de fábrica. A duração exata (em dias de auditoria) é calculada pelo organismo certificador conforme regras específicas de tempo mínimo de auditoria, que levam em conta número de colaboradores, turnos e complexidade do processo.
O que acontece se minha empresa for reprovada na auditoria de certificação?
Depende da gravidade dos achados. Não conformidades menores geram um prazo para apresentação de plano de ação, sem impedir a emissão do certificado. Já uma não conformidade maior, como um PPAP aprovado que não reflete o processo real ou uma falha grave de rastreabilidade, impede a emissão do certificado até que a empresa comprove a correção, o que normalmente exige uma auditoria de acompanhamento. Não há reprovação definitiva: a empresa pode corrigir os pontos apontados e ser reavaliada, mas isso atrasa a data de emissão do certificado e pode comprometer prazos combinados com clientes automotivos.
